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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Bradesco tem lucro recorde

Marcelle Gutierrez


São Paulo - Apesar da desaceleração da economia brasileira, o cenário continua favorável para o sistema bancário por causa do crescimento do crédito e da estabilidade dos índices de inadimplência. Nesse contexto, os grandes bancos brasileiros devem apresentar crescimento de 15% no primeiro trimestre de 2011, aponta a agência classificadora de risco Austin Rating.

O resultado recorde do Bradesco, divulgado nesta quarta-feira, já reflete essa tendência. O lucro líquido contábil totalizou R$ 2,70 bilhões, com aumento de 23,8% na comparação com o mesmo período de 2010. O lucro líquido ajustado obteve valor aproximado, de R$ 2,73 bilhões, com crescimento de 24,2%. O patrimônio líquido, que inclui o aumento de capital em R$ 1,5 bilhão, ficou em R$ 51,2 bilhões, 19,1% superior a março de 2010.

O vice-presidente do banco, Domingos Figueiredo de Abreu, concorda que o resultado foi puxado pelo crescimento do crédito e inadimplência, que manteve estabilidade. "O cenário continua favorável ao Brasil. A manutenção do índice de inadimplência no primeiro trimestre foi positiva, considerando o aumento da carteira de crédito e a menor liquidez do período."

Do resultado total, 72% correspondem à área financeira, e 28%, à de seguros. A carteira de crédito é responsável por 30% do lucro e o total de empréstimos atingiu R$ 304,3 bilhões em março de 2011, com crescimento de 3,7% em relação a dezembro. "A evolução no crédito é explicada pelo incremento de operações de micro, pequenas e médias empresas, assim como pelas grandes."

Entre as companhias de menor porte, o crescimento foi de 4,4% no trimestre, em comparação com 2010, para R$ 87,7 bilhões. No período, os financiamentos para grandes empresas obtiveram elevação de 4,7%, para R$ 116,5 bilhões. "Para pessoa jurídica, o empréstimo tem se mantido forte e acima de pessoa física, principalmente para pequenas e médias com linhas voltadas para o investimento e repasses do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]. Inclusive, nos surpreendemos com o crescimento de linhas de crédito voltadas para as grandes empresas", declarou o vice-presidente do Bradesco.

Sobre os impactos das medidas macroprudenciais adotadas pelo governo federal desde dezembro de 2010 para contenção do crédito ao consumo, Abreu acredita que já há reflexo no resultado do banco no primeiro trimestre: "É difícil medir o efeito exato, mas não tenho dúvida de que tiveram impactos. Por exemplo, na carteira de pessoa física o crescimento tem sido menor principalmente em linhas de consumo". No total, o aumento de pessoa física foi de 2%, para R$ 100 bilhões. No último trimestre de 2010, o crescimento do segmento era superior, com 5,6%.

No que diz respeito à influência da estabilidade da inadimplência, o vice-presidente atribui a melhora da renda e do emprego no Brasil. Também ressalta que apresenta estabilidade desde 2009. O índice de inadimplência superior a 90 dias atingiu total de 3,6%, mesmo valor do último trimestre de 2010.

O aumento do crédito também influenciou o índice de Basileia, que ficou em 15%, em comparação com 16,8% do primeiro trimestre de 2010. "Consideramos confortável o índice de Basileia para as operações. Em relação a adaptação ao Basileia III, temos o sentimento de folga se usarmos os modelos internos (de regulação). O Banco Central já colocou o cronograma de até 2017 implementar o processo."

Além do crescimento do crédito e da estabilidade da inadimplência, a gestão do atual presidente, Luiz Carlos Trabuco Cappi, influenciou no resultado dos primeiros meses de 2011, segundo Erivelto Rodrigues, sócio da Austin Rating. "A entrada do Trabuco trouxe um modelo de gestão diferenciado. O lucro do Bradesco nos primeiros meses do ano sempre ficava em torno de R$ 1,6 ou R$ 1,7 bilhão; este novo resultado, com R$ 1 bilhão a mais de lucro, reflete um modelo de gestão acertado adotado por ele."

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