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sábado, 30 de abril de 2011

Movimentos internacionais apontam irregularidades da Sodexo

São Paulo – Membros de sindicatos e movimentos sociais ao redor do mundo se reuniram nesta quarta-feira (27), na sede do Sindicato dos Bancários de São Paulo, para expor casos de ilegalidades envolvendo a multinacional francesa Sodexo, do ramo alimentício. Os ativistas pretendem mobilizar-se mundialmente, em diversas frentes, contra o que consideram abusos e irregularidades por parte da empresa, presente em 80 países.

Edgar Paez M., responsável pelas relações internacionais do Sindicato Nacional de Trabajadores del Sistema Agroalimentario (Sinaltrainal), da Colômbia, levantou ocorrências com demissões de grávidas em linhas de trabalho e o não pagamento de seus direitos. Há ainda relatos de mulheres que precisaram provar, por meio de atestado médico, que não estavam grávidas.

"Fizemos uma jornada de 17 a 24 de janeiro nos preparando para uma assembleia em Paris, tentamos convencer as pessoas da sociedade a entender e se organizar perante à Sodexo", explicou Paez. Ele lembrou que, na Colômbia, a empresa atua há 18 anos e emprega 14 mil trabalhadores, dos quais menos de 1% são sindicalizados.

As ações contra a multinacional na Colômbia começaram há menos de um ano, e já movem uma ação contra o Estado local, por fechar contratos e não investigar denúncias com a Sodexo. Ele acusa a empresa de se recusar a negociar com trabalhadores – sindicalizados ou não. Ele sustenta que está na Justiça do país o julgamento, em última instância, de uma ação para obrigar a Sodexo a entrar em negociações com seus empregados.

Na França, metalúrgicos que recebiam da empresa refeições de má qualidade, além da falta de condições de trabalho, mobilizaram-se para conseguir a solidariedade da comunidade internacional, segundo Jean-Michel Dupire, da Confederação Geral do Trabalho (CGT) francesa. "Nós movemos queixas contra a entidade, que foram acatadas, mas após seis meses com os processos encaminhados", disse.

Associações de juristas franceses acusam a Sodexo por "publicidade enganosa" em casos em que há discrepância entre valores nutricionais efetivos e os registrados em tabelas de serviços prestados pela empresa. Dupire defende uma ação internacional conjunta para que se obtenham melhores resultados contra a empresa.

Autumn Weintraub, diretora de campanha do Sindicato Internacional de Empregados de Serviços (Seiu, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, também destacou casos de fraudes em tabelas nutricionais em escolas americanas. "Há pesquisas que mostram que o valor nutricional não bate com as dados recebidos nas escolas (em Nova Jérsei). Inseririmos todas as pessoas exploradas por esse grande grupo; professores se mobilizaram e pais e alunos deram suporte."

Ela relatou ainda um episódio, em Atlanta, no estado da Geórgia, onde estudantes universitários invadiram a reitoria de sua universidade, como forma de protesto contra a associação com a Sodexo, sete deles foram presos.

Weintraub também citou casos em que o governo americano tomou medidas contra a multinacional. De acordo com ela, a Sodexo tinha um contrato de 1 bilhão dólares com os fuzileiros navais do exército americano, os números passados para o governo eram de 1,2 bilhão, um falor superfaturado, já que a empresa tinha custos de 800 milhões de dólares nesse serviços. "Os outros setores do Estado estão investigando depois disso (quando o governo cancelou o contrato com a empresa). Em Nova Uorque, o procurador geral condenou a Sodexo a devolver 20 milhões de dólares ao estado. Para ela, o Brasil deve indicar os meios para que se façam pesquisas semelhantes às que foram feitas em outras nações. "Acho que juntos, com liderança e indo com outros países, aumentamos a mobilização. Os trabalhadores têm se unido, apesar das ameças, o apoio intersindical faz petições que não podem ser ignoradas".

O encontro aconteceu sob a coordenação da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Realizado no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, no centro de São Paulo, o encontro teve, além de representantes da Colômbia, França e dos EUA, lideranças do Marrocos e República Dominicana.

Ética
Em nota encaminhada à Rede Brasil Atual, a Sodexo nega abusos, afirmando que atua com seriedade e transparência na relação com os funcionários. A empresa alega respeitar direito dos trabalhadores de se filiarem ao sindicato que os representa.

"(A Sodexo) esclarece, também, que permanece firme com o propósito de assegurar aos seus colaboradores o direito de afiliação sindical. Infelizmente isto parece contrariar interesses de organizações como um dos Sindicatos Trabalhistas dos Estados Unidos (SEIU - Service Employees International Union), tentando indispor a Sodexo com a opinião pública, por meio de práticas condenáveis", acusa.

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