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quarta-feira, 4 de maio de 2011

AGV compra a Exata e já projeta receita acima de R$ 1 bilhão

Depois de três anos de negociação, a AGV anunciou ontem a compra da Exata, empresa líder no segmento de operação logística nas regiões Centro-Oeste e Norte do país. Com a aquisição, cujo valor é sigiloso por questão contratual, a AGV passa a atuar com armazenagem e transporte rodoviário em 20 Estados brasileiros. "Nenhum outro operador logístico no Brasil tem presença com armazéns próprios em tantos Estados. Com a Exata, damos um foco maior na região Centro-Norte, que tem um crescimento muito expressivo em termos populacionais. Consequentemente, o consumo vem a reboque", explica o presidente da AGV, Vasco Carvalho Oliveira Neto.

A companhia, nascida em Vinhedo (SP) há 12 anos, planeja encerrar este exercício com faturamento acima de R$ 1,1 bilhão, ante R$ 657 milhões de 2010. O crescimento não será fruto apenas da compra da Exata. "Existem outros negócios em curso sobre os quais ainda não podemos falar", afirma Vasco.

A Exata nasceu há 14 anos, como uma das empresas do grupo Arex. À época, faturava até R$ 10 milhões. Hoje tem cerca de 35 clientes, conta com 550 funcionários e 15 centros de distribuição espalhados pelo país. Segundo o diretor-geral, Mauricio Pastorello, o trabalho nos últimos anos foi fazer da Exata uma empresa média. Neste ano deve encerrar com R$ 101 milhões. "Para se tornar uma empresa grande é muito custoso, um trabalho que demanda um esforço mais complexo". Foi quando as conversações com a AGV deslancharam. "Vejo como uma continuidade do trabalho que venho fazendo há sete anos na Exata. Os 550 colaboradores que sempre deram a vida pela Exata vão agora dar a vida pela AGV", diz Pastorello. De acordo com ele, a compra foi de "porteira fechada". Em relação ao capital humano, "não muda praticamente nada."

De acordo com Pastorello, a complementaridade de atuação da AGV e Exata não se limita ao aspecto geográfico. Contempla também a atuação nos respectivos setores. A AGV, por exemplo, tem grande destaque em bens de consumo. A Exata é focada principalmente nos setores de bens de consumo, eletroeletrônicos e automotivo. Entre seus principais clientes estão a Vivo, a Case New Holland (CNH) e a Ingenico.

A AGV nasceu em 1999 como armazéns gerais frigorífico de Vinhedo (daí as iniciais do nome). No primeiro mês, Neto percebeu que não bastava fazer a armazenagem, era preciso ser um operador logístico que oferecesse o maior número possível de soluções ao cliente.

Até 2006 a empresa tinha foco muito grande no setor de medicamento veterinário. Quando conquistou praticamente 100% de participação desse mercado, no qual é líder até hoje, fez um plano de crescimento agressivo. "O plano era nos tornarmos em cinco anos o maior e melhor operador logístico de capital nacional". A empresa diversificou os ramos de atuação, apostou na área de saúde humana e cosmético e buscou oportunidades de fusões e aquisições. "O nosso mercado de logística ainda é muito novo, muito fragmentado. E o processo de consolidação em 2006 estava numa fase embrionária, mas a gente já enxergava que iria acontecer. Acabamos nos preparando para isso", explica Neto.

A empresa tem governança corporativa, é auditada, e tem registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em agosto de 2008 o Equity International (que investe muito no setor imobiliário, como na Gafisa e BR Malls, no Brasil) entrou como sócio.

Desde 2008 a empresa já adquiriu oito concorrentes pelo valor global de R$ 240 milhões de uma lista de 35 empresas elaborada em fins de 2006. "Buscamos adicionar empresas que trazem mais clientes nos setores que já atuamos, ou que vão trazer serviços novos, ou que venham trazer expertise regional", explica Neto. No caso da Exata, os principais fatores de atração foram justamente o foco no segmento de tecnologia associado à cobertura regional. Além disso, o modelo de negócio das empresas é semelhante. Da mesma forma que a AGV, a Exata é uma empresa considerada "asset light" (carteira enxuta, com ativos básicos).

Nos últimos três anos a AGV cresceu 6,5 vezes, sendo 60% de fusões e aquisições de empresas e 40% orgânico.

Fonte: Valor Econômico/Fernanda Pires | Para o Valor, de São Paulo

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