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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Brasil quer que estrangeiro venha para a Copa de 2014 com reais no bolso Estímulo à negociação do real no exterior fortalece moeda brasileira e desafoga correspondentes no país

O governo brasileiro quer que o estrangeiro que vier para o País assistir a jogos da Copa do Mundo de 2014 ou dos Jogos Olímpicos em 2016 compre no seu país diretamente o real, em vez de trazer uma moeda como o dólar ou o euro, para converter tudo por aqui.

"Se isso ocorrer, fortaleceremos o uso da nossa moeda e vamos inserir o real no mercado internacional", explica Geraldo Magela Siqueira, chefe da gerência-executiva de Câmbio e Capitais Estrangeiros do Banco Central.

A estratégia desafoga o mercado local, que ainda precisa avançar em correspondentes disponíveis para converter as moedas estrangeiras em reais no Brasil, e também reduziria custos para esses turistas, uma vez que duas conversões tendem a ser mais onerosas do que apenas uma.

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Oferecer reais lá fora é uma “medida que bancos deveriam pensar, tendo em vista que os jogos vão incrementar o fluxo estrangeiro de moedas”, diz Siqueira.

“Nós, do Banco Central, vamos manter uma conversa maior com os bancos, para dar visibilidade maior desse processo, porque, nesse caso, o turista já vem com reais no bolso. Os valores que temos hoje no exterior ainda são irrisórios.”

O presidente do BC, Alexandre Tombini, destaca que o real já começa a ser usado em países vizinhos, mas ratifica que a possibilidade de o estrangeiro conseguir reais no exterior vai ser maior foco de atenções no futuro, para atrair mais estrangeiros ao Brasil.

Por meio de carta enviada à Fifa para candidatura à Copa, o governo federal do Brasil assegura que a importação e exportação de todas as moedas estrangeiras será irrestrita. 

Segundo Tombini, há crescente interesse de estrangeiros em vir ao país, seja por turismo de lazer ou de negócios. “Os gastos de turistas triplicaram na última década. Temos diversos atrativos culturais e naturais e uma crescente disposição do país de no segmento da indústria do entretenimento.”

O fluxo de recursos no mercado de câmbio envolvendo o país disparou na última década. Segundo o BC, em 2001, o giro total (inclui recursos de fora que entram e de dentro que saem) era de US$ 5 bilhões e hoje está em US$ 24 bilhões. Nesse período, o ingresso de recursos subiu 242% e a saída, 413%. Os números envolvem os mercados de pessoa física, como compra manual e cartão de crédito. “O contexto hoje é de plena liberdade para compra e venda, desde que obedecidos princípios regulamentares”, diz Siqueira.

O BC prepara, ainda, medidas para regulamentar de maneira mais específica como cartões pré-pagos recarregáveis, diz Siqueira. Hoje e a amanhã o BC sedia, em Brasília, seminário sobre Câmbio Manueal e transferências de pequenos valores, para preparar o mercado de câmbio para a Copa 2010.

Tombini abriu o evento destacando os avanços e a necessidade de maior modernização e simplificação das regras de câmbio. Ele citou como avanços a unificação do câmbio em 2005 (fim do câmbio paralelo), o fim da exigência de contrato de câmbio para valor inferior ou igual a US$ 3 mil, entre outros.

Para o presidente do BC, porém, o foco do seminário é saber até que ponto a regulação quanto à estrutura de suprimento de câmbio está adequada a esses novos desafios.

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