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sábado, 28 de maio de 2011

Cenário de escassez do etanol deve prevalecer até 2013, diz empresário


Mesmo que os investimentos do setor sucroalcooleiro sejam retomados neste ano, o cenário de escassez de etanol deve prevalecer, pelo menos, até 2013, diz o vice-presidente da fabricante de equipamentos Dedini, José Olivério.

– Não há mais tempo para mudar esse cenário. A decisão de um projeto demora em média um ano para sair do papel. Se os investimentos forem retomados agora, o reflexo apenas será sentido em 2013, mas ainda será um cenário de escassez – afirma Olivério.

Segundo ele, diante da expectativa de crescimento da frota de carros flex, o setor deveria estar numa onda mais agressiva de investimentos, como ocorreu entre 2000 e 2008. Nesse período, o volume de cana-de-açúcar moída teve um crescimento médio de 10,4% ao ano. De lá pra cá, essa taxa caiu para 3,3%. O avanço da cana foi decorrente de um otimismo generalizado no setor, que resultou na construção de 112 usinas entre 2005 e 2010. Neste ano, devem entrar em operação apenas cinco unidades, ainda reflexo de decisões passadas.

Além dos investidores tradicionais, vários estrangeiros desembarcaram no país para estrear na produção de açúcar e álcool. Até então, havia excesso de liquidez no mercado e muita gente se endividou no curto prazo para fazer os investimentos, afirma o diretor-presidente da Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool (CBAA), José Pessoa de Queiroz Bisneto.

– A crise enxugou o excesso de liquidez e provocou uma chuva de falências no setor – declara.

Além disso, a enorme volatilidade de preços no mercado acabou corroendo a remuneração do setor. Durante a safra, as empresas que precisavam de dinheiro jogavam muito etanol no mercado, derrubando o preço. Na entressafra, a redução da oferta fazia o preço alcançar picos elevados.

– Desse jeito a remuneração foi sendo corroída. Mas como havia excesso de liquidez no mercado, ninguém percebia isso. Quando veio a crise, o problema ficou exposto – relata Queiroz.

Ele calcula que cerca de 50 usinas ainda estejam em recuperação judicial, desde o início da crise. E acredita que as usinas atuais possam aguentar parte da demanda dos carros flex se investirem na expansão da área plantada e dos parques industriais.

– Atualmente, não vemos nenhuma sinalização de retomada dos investimentos. Há uma inibição geral no setor – diz ele.

O sócio da IBM Business Consulting, Martiniano Lopes, também vê potencial a ser explorado nas usinas existentes. Ele afirma que muitas unidades construídas recentemente ainda não estão a pleno vapor e podem dar uma boa contribuição para o mercado nos próximos anos, se decidirem expandir suas atividades.

– Muitas estão operando apenas com uma moenda. Elas podem instalar uma segunda moenda e aumentar a produção – ressalta.

O ex-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho, diretor da consultoria Expressão, não tem a mesma convicção. Na avaliação dele, o setor precisa urgentemente de investimentos em novas unidades.

– Mas não estou vendo isso ocorrer. A única coisa que vejo é fusão e aquisição. Se quisermos atender o mercado, teremos de construir novas usinas – destaca.

Outro problema que pode representar um entrave para o setor é que o grande produtor de cana do país está no limite. São Paulo tem restrições para elevar a área plantada, diz Lopes. Ele, que acredita na expansão das usinas existentes para atender à demanda, reconhece que não adianta aumentar muito a capacidade industrial do Estado, já que não haverá cana para todos. De acordo com Lopes, isso tem de ocorrer no Centro-Oeste.

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