Total de visualizações de página

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Crédito de carbono poderá ser comercializado

O estado do Acre, que desenvolve projeto pioneiro de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), contabiliza um volume estimado, para os anos de 2006 a 2009, de 100 milhões de toneladas dióxido de carbono (CO2).

 

A comercialização desse crédito de carbono será feita em leilão na BM&FBovespa no final do segundo semestre. "As reduções de emissões provenientes de projetos de REDD ainda não têm preço de mercado. Esperamos formar esse preço no leilão", explica o coordenador de projeto da Fundação Getúlio Vargas (FGV), doutor em economia Virgílio Gibbon, que também coordena o projeto acreano, e estará em Fortaleza amanhã para relatar essa experiência, a evolução dos mercados de crédito de carbono no mundo e os novos tipos de crédito que vêm sendo tratados no âmbito da Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudança de Clima.


O especialista é um dos palestrantes do Fórum de Ideias Inovadoras em Políticas Públicas (FIP), na Assembleia Legislativa, que nesta edição terá como tema "Economia verde: uma agenda nas esferas públicas e privadas". O evento, que ocorrerá de hoje até amanhã, 31, é promovido pelo Instituto de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp), e irá debater uma maneira possível de construir uma agenda de sustentabilidade a partir de uma racionalidade socioambiental, levando em consideração os custos e os impactos na economia.


Em entrevista ao O POVO, Gibbon disse que no projeto de REDD do Acre foi desenvolvida uma metodologia de mensuração das reduções de emissões de CO2 oriundas do desmatamento evitado. E ainda os procedimentos necessários à certificação, registro e comercialização desses novos créditos. Explica que para o desmatamento evitado se transformar em crédito de carbono, tem que estimar uma linha de tendência para avaliar qual teria sido o desmatamento na ausência da implantação do projeto. "A diferença entre essa tendência e o desmatamento observado resulta no que chamamos de desmatamento evitado", completa, acrescentando que essa mensuração foi feita através de imagens de satélite de um banco de dados extremamente detalhado sobre a biomassa no estado do Acre.


O doutor da FGV destaca que o REDD específico para desmatamento evitado é uma novidade que terá um impacto grande sobretudo em relação às críticas ao desmatamento da Amazônia que o Brasil enfrenta. Na opinião de Gibbon, depois da China e da Índia, “que têm uma matriz energética muito suja”, o Brasil é o país com maior potencial de fornecimento de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) que geram créditos de carbono.

Nenhum comentário:

Postar um comentário