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domingo, 15 de maio de 2011

Despesa de trabalhador é maior no Itaim

FELIPE VANINI BRUNING
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O cardápio é comum: salada, arroz, feijão e carne. Mas o preço do quilo em restaurantes populares pode atingir R$ 49,90 nas regiões da Berrini, Itaim e Faria Lima.

Em alguns estabelecimentos, cobra-se taxa de serviço de 10%, ainda que o cliente se sirva sozinho.

Uma vaga para mensalista em estacionamentos do novo centro financeiro da cidade pode custar até R$ 400. "Acabo tendo um custo fixo maior do que o de quem trabalha em outras regiões", diz Vanessa Fernandes de Oliveira, gerente comercial do Itaú Personalité do bairro Jardim Paulista.

Ela recorre a um estacionamento informal, uma vaga de garagem de uma moradora da região, e paga R$ 250 por mês. Já o tíquete de refeição de Vanessa, no valor de R$ 310 por mês, dura apenas duas semanas.

"A vantagem é que aqui as oportunidades profissionais são melhores", justifica ela.

A distância entre o valor médio pago pelas refeições e os tíquetes concedidos pelas empresas é grande. A refeição calculada pela Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert), que inclui um prato de 500 gramas, bebida, sobremesa e cafezinho, custa R$ 21,11.

A média de tíquete que o trabalhador brasileiro recebe, por sua vez, é de R$ 10.

"Houve acréscimos significativos de 2010 para cá no preço das refeições. Essa é uma razão para as empresas valorizarem o preço do tíquete", afirma Roberto Baungartner, diretor de relações institucionais da Ticket, empresa de benefícios.

Eduardo Lisboa, proprietário do restaurante Tembuí, próximo da Faria Lima, afirma que os próprios estabelecimentos têm buscado alternativas para os aumentos, como convênios com empresas e opção de preço fixo para clientes que comem mais.

Além de almoço e estacionamento, o cotidiano do trabalho contempla gastos como cafezinho, happy hour e cabeleireiro.

Muitas funcionárias aproveitam o horário de almoço para dar uma escapada ao salão de beleza.

No caso do cafezinho, uma opção é aproveitar o oferecido pelo escritório. "Se você cortar um cafezinho de R$ 3 por dia, vão sobrar R$ 60 no final do mês", aconselha o consultor de finanças pessoais Mauro Calil.

O happy hour pode ser substituído, eventualmente, pelo uso das redes sociais. "O principal do happy hour não é a cervejinha, mas o networking", afirma Calil. "Abusar das redes sociais é uma saída nessa hora."

O alto custo também bateu no topo da cadeia corporativa. "Uma refeição com entrada e prato principal é 20% mais cara em São Paulo do que em Paris", afirma o executivo francês André Guyvarch, presidente da Bombardier Brasil.

"O trabalhador tem de levar em conta os custos do trabalho na hora de aceitar uma proposta de emprego nessas regiões", diz Calil.

"Tudo é muito mais caro. E também devem ser incluídos os gastos que vão ter com o vestuário, que costuma ser mais formal."

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