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sábado, 7 de maio de 2011

Locação de carros à francesa

A Arval, subsidiária do grupo francês BNP Paribas, elege o Brasil como prioridade. E, para crescer, vai investir R$ 600 milhões no segmento de locação de veículos para empresas
Por Rosenildo Gomes Ferreira
Com uma receita global de € 72 bilhões em 2010, o grupo francês BNP Paribas se consolidou como uma das principais instituições financeiras do planeta. No entanto, uma parte importante dessa bolada não tem relação direta com o segmento financeiro. Mas sim com a gestão de frotas de veículos de grandes empresas, um negócio tocado por sua subsidiária Arval, vice-líder do setor na Europa. Fundada em 1989, com filiais em 22 países, a companhia sempre teve uma presença discretíssima no Brasil. 
Contudo, com a queda da demanda nos chamados mercados maduros, leia-se Europa e Estados Unidos, a direção da Arval resolveu encarar o Brasil com outros olhos. Uma boa amostra dessa mudança de postura está na indicação do executivo Arnault Leglaye para chefiar a subsidiária local. Com passagem pela Romênia, onde comandou a implantação da empresa naquele país, Leglaye é um especialista em mercados emergentes e desembarcou no mês de janeiro em São Paulo com planos ambiciosos. “Queremos dobrar de tamanho e dominar uma fatia de 10% do mercado de leasing operacional, além de nos transformarmos em uma referência no setor”, disse à DINHEIRO. 
 

Nova Direção: Leglaye, CEO da Arval do Brasil, chega com a missão de dobrar a filial de tamanho
 
Para atingir esse objetivo, o CEO, que não revela o faturamento da Arval no Brasil, conta com alguns trunfos. Um deles é o sinal verde da matriz para investir na ampliação da frota. Hoje, a Arval possui 8,5 mil veículos para atender 200 clientes corporativos, o que a coloca na quinta posição de um ranking dominado pela Total Fleet, que possui 22,3 mil unidades e é controlada pela mineira Localiza. A meta de Leglaye é chegar a 25 mil unidades ao final de 2013. Para isso, terá de fazer um desembolso estimado em R$ 600 milhões, levando-se em conta o custo médio unitário de R$ 35 mil. Apenas neste ano, deverão ser investidos R$ 180 milhões. Uma parte será gasta no desenvolvimento de aplicativos de gestão. 
 
Como, então, avançar em um setor extremamente pulverizado e no qual as concorrências normalmente são decididas pelo valor cobrado? A resposta está no pacote de serviços de acordo com o executivo. É que, diferentemente da locação para pessoas físicas, liderada no País também pela Localiza, a gestão de frota exige bem mais do que apenas a disponibilidade do carro escolhido pelo cliente. 
 

Gigante financeiro: a Arval está sob o guarda-chuva do BNP Paribas, conglomerado com receita de ? 72 bilhões
 
É preciso oferecer uma série de serviços, que vão da definição do modelo que melhor se adapta ao cliente e ao escalão da companhia até ao controle do cronograma de manutenção, passando pela gestão de multas de trânsito. “Ao contrário do que acontece em muitas empresas, nossos clientes não são atendidos por uma central de telemarketing”, afirma Leglaye . “E sim por um profissional que conhece o contrato e as características de cada empresa.” É com essa estratégia que a Arval pretende atrair novos clientes e até mesmo roubar alguns da concorrência. 
 
 
 
 
A decisão da Arval de expandir-se ocorre no momento em que o setor de locação experimenta um período de grande efervescência. Dados da Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis (Abla) indicam que a receita do segmento cresceu 30% no ano passado. Saltou de R$ 4,37 bilhões para R$ 5,68 bilhões. E a expectativa é avançar outros 20% neste ano. “As empresas descobriram a importância de terceirizar a frota de veículos.Com isso, elas podem se concentrar em sua atividade principal”, diz Paulo Gaba Júnior, presidente do conselho nacional da Abla.
 
“Além disso, elas ganham fôlego financeiro, pois reduzem seus investimentos em ativos e em manutenção.” Em um segmento marcado pela pulverização, muitas vezes é o item preço que costuma definir a parada. Leglaye diz saber disso e afirma que não vai comprar mercado, atuando com valores que coloquem em risco a rentabilidade da operação. “Seria uma forma de crescer rápido, sem dúvida”, afirma. “Mas essa política jamais fez parte de nossa estratégia.”

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