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domingo, 22 de maio de 2011

“Nos vemos como consolidadores e não como alvos”

Renata Moura - editora de Economia
“Jovem, de muito talento e de competência comprovada, mas ainda não no momento certo de ser vendido, simplesmente porque pode se valorizar muito mais”. A definição do empresário Marcelo Alecrim para o jogador Neymar, do Santos Futebol Clube, poderia ser, facilmente, aplicada à ALE, companhia com DNA potiguar que preside e que está no radar dos concorrentes, num setor movimentado por fusões e aquisições nos últimos anos. Atualmente, a empresa ocupa o posto de quarta maior distribuidora de combustíveis do Brasil. “Não há como negar que somos cobiçados pelo mercado”, diz Alecrim. “Mas a ALE não está à venda e não está conversando com nenhum concorrente neste momento”, despista. Esse é um dos assuntos que aborda nesta entrevista à TRIBUNA DO NORTE, em que também fala sobre planos de investimento e sobre recursos humanos. A companhia foi eleita como uma das melhores para começar a carreira, em um guia divulgado recentemente pela revista Você S/A. A receita para ganhar o prêmio e o perfil do profissional desejado hoje, ele explica a seguir. Confira:

Quais são os planos de investimento da ALE para este ano? 

Nossa meta é ampliar em 25% os investimentos no país, passando dos atuais R$ 80 milhões para R$ 100 milhões. Em 2010, a companhia faturou R$ 7 bilhões e prevê chegar a R$ 8 bilhões em 2011, com a abertura de mais duas novas filiais e ampliação de pelo menos 17% de sua rede ativa de postos revendedores.

Há algum investimento específico para o Rio Grande do Norte? 

A partir de julho, a ALE contará com uma nova unidade operacional, localizada em Guamaré (RN). A base será utilizada pela companhia para armazenagem e distribuição de combustíveis aos postos revendedores do Estado. A capacidade de movimentação é de 46 milhões de litros e o local já começará a operar com capacidade total.

Quanto foi investido no projeto?

Para colocar a unidade em funcionamento a ALE fez um investimento de aproximadamente R$ 24 milhões. As obras de construção geraram cerca de 180 empregos, sendo uma média de 120 diretos, 20 indiretos e 40 subcontratados. Quando começar a funcionar, a base irá contar com cerca de 160 profissionais diretos e indiretos. A nova unidade vai estocar e distribuir gasolina, diesel, álcool anidro, etanol hidratado e biodiesel. Além disso, vai servir de armazenagem para outras distribuidoras, sendo interligada a uma refinaria por meio de oleoduto.

Comenta-se no mercado que a ALE estaria no radar da Raízen - empresa resultante da joint venture entre Shell e Cosan - e de que também tem sido cobiçada por outras concorrentes do setor. O senhor confirma o “assédio”? 

A ALE não está à venda e não está conversando com nenhum concorrente neste momento. Não há como negar que somos cobiçados pelo mercado e que sondagens aconteceram, fusões e aquisições ditaram o ritmo de nosso segmento nos últimos anos e é normal que especulações dessa natureza aconteçam, porém entendemos que o processo de consolidação chegou ao limite: quatro distribuidoras controlando 80% do mercado já é muita concentração. São poucos players para um mercado do tamanho do Brasil. A ALE é um desses players e veio para ficar. Estamos distantes dos três líderes do mercado, porém estamos também muito distantes das demais distribuidoras e, por isso, nos vemos como consolidadores e não como alvos. Já temos uma valiosa posição estratégica no segmento e nossa meta é ampliar essa importância. Temos apenas 15 anos de existência, um enorme espaço de mercado para crescer e muitos investidores, posso garantir, em número muito maior do que os potenciais compradores, querendo apostar em nossa empresa. Se eu fosse receber todos os bancos que nos procuram para nos convencer a fazer imediatamente o IPO da empresa, eu não teria tempo para mais nada nos próximos meses. Nenhum empresário pode dizer que sua empresa nunca será vendida. A questão é que ainda é muito cedo para a ALE. Guardando as devidas proporções, é como se a ALE fosse o jogador Neymar, do Santos: um jovem, de muito talento e de competência comprovada, mas que ainda não está no momento certo de ser vendido para a Europa, simplesmente porque pode se valorizar muito mais ainda.

O crescimento cada vez mais robusto de concorrentes como Petrobras e Shell intimida a ALE?

De forma alguma. Existe espaço suficiente para o crescimento da ALE. Atuamos em nichos diferentes e com estratégias diferentes.

Quais são os planos da empresa para se diferenciar e ganhar espaço no mercado?

Vamos continuar investindo em expandir nossa rede e em divulgar a nossa marca junto ao consumidor. O segmento de lojas de conveniência e os investimentos no aumento da eficiência de nossa logística (bases de armazenagem) também terão prioridade. As perspectivas também são muito positivas no segmento de distribuição de asfalto, em função dos investimentos em infraestrutura que deverão ocorrer nos próximos anos no país.

E o apetite da companhia, como está? Há planos de realizar novas aquisições? 

Em 2008, concluímos a aquisição da distribuidora catarinense Polipetro e da rede de postos Repsol no Brasil. Agora, a meta da companhia é atingir, em 2012, faturamento de R$ 8,1 bilhões e ter uma rede com 2.500 revendas. Temos como foco a conquista de postos que hoje são de bandeira branca (sem ligação com alguma distribuidora). Hoje, cerca de 43% dos postos brasileiros são de bandeira branca, o que corresponde a aproximadamente 16 mil postos. Muitas dessas revendas têm potencial para ostentar nossa bandeira. 

Quanto postos existem hoje na rede? 

São 1.750 postos atualmente. Destes, 506 são no Nordeste.

Quantos litros de combustíveis comercializa?

Cerca de 350 milhões de litros de combustíveis, por mês, a 5 mil clientes.

A companhia planeja avançar em que ritmo no ranking das distribuidoras do país nos próximos anos, levando em conta investimentos que tem feito e os que estão programados?

Somos a quarta do ranking, porém não fazemos planos de ganhos de market share, fazemos planos de crescimento de nossa rede e de crescimento da eficiência de nossas operações. Não queremos ser uma das maiores; isso seria uma utopia, levando em consideração a distância que existe entre nós e os três líderes de mercado. Queremos ser uma das mais preferidas pelo consumidor, uma das mais lucrativas, uma das mais admiradas pela sociedade. Pelo menos 20% do mercado está na mão de distribuidoras menores do que a ALE. Portanto, teoricamente existe espaço para, organicamente ou por aquisições, quadruplicarmos de tamanho. Porém, isso é impensável e desnecessário, tendo em vista que o mercado deve crescer sozinho uma ALE por ano nos próximos 10 anos, ou seja, poderemos e deveremos ser muito maiores do que somos hoje nos próximos anos sem necessariamente precisarmos ganhar posições no ranking. No mundo dos negócios, ser o primeiro ou o quarto em tamanho nem sempre significa dizer que você é mais rentável ou que tem maior valor. Veja o exemplo da Apple, que fatura cerca de US$ 30 bilhões e tem valor de mercado de cerca de US$ 300 bilhões, enquanto a Dell fatura o dobro e vale 10 vezes menos.

O setor de combustíveis sofre com carência de mão de obra qualificada, a  exemplo de outros? 

O setor de combustíveis tem vivido um momento de concentração por causa das fusões e aquisições recentes que envolveram praticamente todos os grandes players do mercado. Essas movimentações permitem o aproveitamento de profissionais qualificados, que por necessidade ou opção buscam oportunidades de trabalho. A ALE vem se consolidando há quase 10 anos como uma das melhores empresas para se trabalhar no país com uma política informal, de portas-abertas, gerando oportunidades de desenvolvimento para sua equipe e consequente atratividade. Por ano, a empresa promove certa de 20% do seu quadro de colaboradores e, de 2006 para cá, dobrou o número de profissionais  contratados e também sua área de atuação, que pulou de 23 unidades para mais de 50 em apenas quatro anos. É importante ressaltar também que, com exceção das áreas mais técnicas que envolvem logística e operação, a ALE possui setores que disputam candidatos com vários outros segmentos e que o Programa de Trainee ALE 2010 recebeu inscrições de mais de 13 mil candidatos em todo o país para suprir 10 vagas anunciadas.

A companhia foi eleita como uma das melhores empresas para começar a carreira pelo mais recente guia “Melhores empresas para começar a carreira” da Você S/A. A empresa é a única do segmento de combustíveis, e também a única com sede no Nordeste, citada no guia. Na sua avaliação que fatores foram decisivos para isso? 
A gestão de pessoas da nossa empresa vem passando por amplo processo de transformação e a área de Recursos Humanos ocupa, cada vez mais, um  papel estratégico e contributivo para os negócios da ALE. Isso colabora para que a organização esteja alinhada em torno de definições estratégicas claras, sustentadas por uma gestão com amplo envolvimento e participação dos colaboradores. Por entender a importância da valorização desse trabalho, nós possuímos diversas ações voltadas ao desenvolvimento e integração dos profissionais, como o processo de job rotation, desenvolvido dentro do programa trainee da empresa, que oferece aos novos colaboradores uma visão completa de todos os setores e procedimentos. Outro exemplo é o Programa de Desenvolvimento de Lideranças, que oferece treinamentos técnicos e comportamentais para capacitar profissionais. Enxergamos esse prêmio como um reconhecimento dos esforços e investimentos realizados pela empresa nos últimos tempos para desenvolver a área de gestão de pessoas. A inclusão da ALE no guia vem coroar o cuidado e o zelo contínuo em aperfeiçoar e desenvolver nossos talentos.

Quantos funcionários a empresa tem hoje?

Geramos 12 mil empregos diretos e indiretos. Aproximadamente 4 mil empregos diretos e indiretos no estado do RN.

Qual o perfil do profissional desejado hoje pela companhia?

A ALE busca selecionar, para compor seu quadro, colaboradores com perfil empreendedor, visão estratégica de negócio, comprometimento, capacidade de inovar, trabalhar em equipe, potencial de liderança e foco no cliente.
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