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domingo, 12 de junho de 2011

Cartão de crédito corporativo, uma questão de inteligência

Em mercados desenvolvidos o uso do cartão de crédito corporativo pelos colaboradores das empresas há muito tempo deixou de ser visto como opção democrática do gestor para se tornar o que é: uma indispensável ferramenta de produtividade e controle. Ninguém mais discute nas economias maduras sobre a sua utilização, mas sim como expandir o mecanismo para monitorar despesas. Enquanto isto, empresas brasileiras amargam ínfimos 25% de taxa de penetração deste meio de pagamento. O que ainda faz o dirigente local tão reticente quanto à universalização do cartão, restrito a dirigentes e profissionais selecionados? Presença obrigatória nos bolsos executivos, o plástico é percebido mais como sinal de status que controle financeiro. Uma questão cultural, diriam analistas apressados. Mas a resposta que associa a subutilização do cartão corporativo ao receio de uso indiscriminado pelo empregado não convence. Afinal, o brasileiro é conhecido por rapidamente assimilar processos econômica ou tecnologicamente vantajosos, e com certeza a reação à mudança é uma resposta simplista. Assim o mistério continua, contribuindo para o custo Brasil. 


O cartão corporativo permite o acompanhamento tão logo uma despesa ocorra graças à sua rastreabilidade, pois deixa pegadas auditáveis. Não há melhor maneira de assegurar quando, onde, e como o dinheiro foi usado. Nenhum funcionário gasta o que não pode ou deve, porque a) parâmetros determinam o que pode ser gasto e os limites financeiros, b) relatórios informam sobre desvios, garantindo a correção quase que imediata e c) ninguém quer perder o emprego por mau uso de recursos. 


O especialista Walter Teixeira, da TX Consultoria, lamenta que o uso inteligente do cartão de crédito corporativo esteja em geral restrito a multinacionais e empresas de porte, quando seus benefícios deveriam ser conhecidos e utilizados por pequenas e médias empresas. Ele atribui esta inapetência à forma como a comercialização é feita pelos bancos. Acostumados cumprir metas de dezenas de produtos, os gerentes acabam forçando a compra dos cartões corporativos pelas pequenas empresas, sem um bom trabalho de conscientização do uso adequado dos cartões. Assim a ativação plena deste instrumento financeiro não ocorre pela falta de argumentos que interessam aos homens de negócios, como o potencial de economias que poderiam ser geradas, os descontos obtidos nas negociações, os ganhos de floating, a segurança das transações, o controle de gastos e a centralização de pagamentos, entre tantos outros. "Os benefícios dos cartões para o mundo das viagens de negócios são inquestionáveis, pois trazem ao mesmo tempo economias, segurança e prestação de serviços, mas a pequena empresa deveria utilizá-lo para outros tipos de contas, como despesas de escritório e gerais, inclusive pagamentos recorrentes como aluguel, condomínio, luz, água, telefone, etc. Para isto é necessária uma visão mais ampla pelos bancos emissores, além de especialização comercial", ressalta Walter.

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