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domingo, 12 de junho de 2011

Cartel do petróleo à beira da cisão A reunião da OPEP de 8 de junho não conseguiu chegar a um acordo para aumentar a produção de barris de petróleo. Formaram-se dois blocos. Produção do cartel não chegará para a procura este ano

A Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) arrisca uma cisão, segundo alguns analistas do mercado petrolífero. "Foi uma das piores reuniões que já tivemos", exclamou o ministro dos petróleos da Arábia Saudita Ali al-Naimi, considerado o mais poderoso ministro do crude, à saída da cimeira do cartel em Viena na passada quarta-feira (8 de junho).
A reunião durou cinco horas em que se formaram dois blocos. De um lado a Arábia Saudita (o maior exportador mundial) que pretendia um aumento de 1,5 milhões de barris por dia na produção do cartel, apoiada pelo Koweit, o Qatar e os Emiratos Árabes Unidos - seus vizinhos próximos -, e do outro, abertamente contra, a Argélia, Equador, Venezuela, Irão, Iraque e Líbia (em guerra civil), segundo declarações de Ali al-Naimi. Não foi feita referência à Nigéria (o 6º maior exportador de crude).

Obstinada oposição


Ali al-Naimi foi muito explícito sobre a divisão interna: "Passei três horas a tentar convencê-los [da necessidade do aumento da produção]. Nos meus 16 anos como ministro dos petróleos nunca vi uma posição tão obstinada [de oposição]".
O secretário-geral do cartel, o líbio Abdulá Salem el-Badri, anunciou, no final da cimeira, que "infelizmente não foi possível alcançar um consenso para aumentar a produção" e referiu que o assunto voltará a ser analisado na próxima reunião se realizará em 14 de dezembro.
A pressão para o aumento da produção do cartel deriva do facto da China se ter tornado em 2010 o maior consumidor de energia, ultrapassando os Estados Unidos, sendo agora a referência mundial. Acresce que o risco de apagões na China durante o verão irá obrigar Beijing a aumentar o uso dos geradores a diesel, o que pressionará o consumo de petróleo.

A grande dicotomia no mundo 


A economia mundial tem vindo a assistir a um acentuar da dicotomia entre os países membros da OCDE (considerados desenvolvidos) e as economias emergentes. A assimetria na taxa de crescimento económico é agora evidente entre os dois mundos. O aumento do fosso entre a produção e o consumo mundiais de petróleo influencia naturalmente o disparo dos preços, potenciando ainda mais a sua volatilidade provocada pela especulação financeira, como aumenta os riscos geopolíticos de disputa pelas zonas produtoras ou com reservas.
A Arábia Saudita pretendia aumentar a produção do cartel em 1,5 milhões de barris por dia, passando dos 28,8 milhões registados em abril para 30,3 milhões. A procura para os crudes da OPEP situar-se-á em média nos 29,9 milhões em 2011, segundo o Monthly Oil Market Report da OPEP deste mês.
Em virtude do impasse em Viena, Riade afirmou ir aumentar unilateralmente pelo menos 500 mil barris por dia e o jornal al-Hayat afirmou que o reino poderá atingir os 10 milhões de barris diários em julho. Mas essa subida não se traduzirá necessariamente num aumento da produção de petróleo saudita nesse número de barris, e muito menos na exportação. Segundo a Reuters, só metade desse aumento na realidade será destinado à produção de petróleo, pois a outra metade será consumida pelas centrais elétricas a diesel em virtude do disparo do consumo de energia nesta época de picos de calor na península arábica.
A produção mundial, desde o rebentar do conflito na Líbia, baixou 1,7 milhões de barris por dia, em que 82% dessa quebra se atribui à guerra civil naquele país do Magrebe. O petróleo líbio é difícil de substituir dado ser de uma variedade de alta qualidade, afirma Rembrandt Koppelaar, editor do The Oil Drum. Em contraste, a procura mundial deverá crescer 1,4 milhões de barris por dia (mbd), um aumento, no entanto, inferior ao de 2010 (que foi de 2,1 mbd).

Quem poderá beneficiar 


O cartel agrupa 12 membros - Arábia Saudita, Argélia, Angola, Equador, Emiratos Árabes Unidos, Irão, Iraque, Koweit, Líbia, Nigéria, Qatar e Venezuela. Detém quase 80% das reservas mundiais do ouro negro e dominam mais de 40% da produção mundial. Nos 10 maiores exportadores do mundo ocupam 6 posições (Arábia Saudita, que lidera, Irão, Koweit, Nigéria, Venezuela e Iraque). Apesar de a Rússia ser o maior produtor mundial (com mais de 10 milhões de barris diários), a Arábia Saudita é o maior exportador (com cerca de 9 milhões de barris por dia).
Um enfraquecimento da OPEP, ou eventual cisão nesta organização criada em Bagdade em 1960, poderá beneficiar o poder do maior produtor do mundo e segundo maior exportador, a Rússia.
A OPEP usa um preço médio para o barril de petróleo com base num cabaz de 7 variedades de crude ("Blend do Saara" da Argélia, "Minas" da Indonésia, "Bonny Light" da Nigéria, "Arab Light" da Arábia Saudita, "Fateh" do Dubai, "Tia Juana Light" da Venezuela, e "Istmo" do México, um país que não pertence ao cartel, mas que é o 7º produtor mundial). Este preço subiu de uma média de 74,45 dólares em 2010 para 106,55 dólares em 2011 até à data. Na última semana, em que decorreu a cimeira de Viena, este preço médio subiu de 110,52 dólares para 111,53 dólares.
Este preço do cabaz da OPEP é mais baixo do que o preço do barril de Brent, usado como referência na Europa. O Brent fechou a semana em baixa com um valor de 118,78 dólares por barril, mas subiu 2,5% durante a semana e 49,5% nos últimos doze meses, segundo dados da TradingEconomics.
Os 10 maiores produtores mundiais são os seguintes: Rússia, Arábia Saudita, Estados Unidos, Irão, China, Canadá, México, Emiratos Árabes Unidos, Brasil e Koweit. Os 10 maiores exportadores são: Arábia Saudita, Rússia, Estados Unidos, Irão, Koweit, Nigéria, Venezuela, Noruega, Canadá e Iraque.

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