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quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Custo Brasil" leva dinheiro de negócios inovadores para os EUA Cresce número de brasileiros que fazem “investimento anjo” em projetos de risco, mas impostos e burocracia tiram recursos do País

Quando um investidor anjo – aquele que coloca valores considerados pequenos, normalmente até R$ 1,5 milhão, em ideias inovadoras – aposta num projeto, tudo o que ele quer é encontrar um novo Wolney Betiol. O curitibano foi ajudado por esse tipo de capital em 1991, logo após fundar a BemaTech. Recebeu US$ 150 mil, deu em troca parte da companhia. A empresa acabou por virar um colosso no ramo da automação, passou a ter ações negociadas na Bovespa e obteve receita líquida de R$ 70 milhões somente no primeiro trimestre desse ano. Mas, ainda que seja exemplo de sorte grande para qualquer “anjo”, Betiol não se mostra entusiasmado a virar um deles – pelo menos não no Brasil.
Betiol reclama do chamado “custo Brasil”, uma âncora que amarra a inovação no País. A alta carga tributária e a infinita chateação burocrática aumentam a necessidade de dinheiro das startups – as empresas inovadoras. Como consequência, causam uma fuga de empreendedores e investidores para ecossistemas mais favoráveis. “Nos últimos seis meses, muitas startups brasileiras foram bater à porta de investidores americanos. Quando eles se interessam em colocar dinheiro nelas, a primeira coisa que pedem é que elas mudem para lá”, conta Ricardo Normand, que foi gestor do Inovar Fundos por sete anos e virou empreendedor – e escolheu basear seu negócio nos EUA.“No Brasil existem muitos custos, amarras, leis ultrapassadas... O ambiente é muito ruim [para se começar um novo negócio]”, afirmou o empresário, no primeiro Workshop para Anjos, evento realizado na Bolsa de Valores de São Paulo, na última sexta-feira. “Eu teria feito tudo de novo, da forma que fiz, na minha empresa – a única coisa é que teria feito no Vale do Silício [EUA]”, diz.
O francês Michel Brunet já viu esse filme acontecer em seu país – e ajudou a reverter o quadro. Nos últimos dez anos, ele convenceu muitos franceses endinheirados a investir em inovação. Batalhou por mudanças nas leis, organizou redes de pequenos investidores e dirigiu bem sucedidas incubadoras de startups. Até o ano 2000, existiam somente 50 investidores anjos na França, que somavam R$ 5 milhões em capital comprometido. Hoje, são 5 mil investidores do tipo, com R$ 300 milhões em aportes.

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