Total de visualizações de página

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Operação entre Carrefour e Pão de Açúcar já começou "errada", critica fonte

Apesar da confiança dos executivos envolvidos na operação, técnicos ligados ao Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) avaliam que o processo de fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour "já começou errado". Isso porque os acionistas não informaram previamente as autoridades do governo para que, antes de ser concretizada, a operação pudesse já ter alguma avaliação sob o ponto de vista da concorrência. “Eles poderiam ter apresentado ao SBDC antes todas as informações da fusão. Se tivessem feito isso, o processo (de avaliação) poderia ser mais rápido”, afirmou uma fonte ao Globo.

Essa iniciativa não é obrigatória por lei, mas seria de bom tom, dizem técnicos, já que importantes e recentes processos se arrastaram por muito tempo devido à falta de antecipação de informações aos órgãos antitruste. É o caso da compra da Sadia pela Perdigão, que resultou na criação da BRF Brasil Foods.

A BRF corre o risco de deixar de existir, caso o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vote contra o negócio por entender que ele é prejudicial à concorrência e, consequentemente, ao consumidor. O primeiro voto, do relator Carlos Ragazzo, foi justamente neste sentido e, agora, os demais conselheiros avaliam se há alguma possibilidade de acordo com a empresa.

Dentro do governo, também há a ideia de que uma possível fusão entre os gigantes do varejo Pão de Açúcar e Carrefour não seria aprovada sem nenhuma restrição, devido ao porte das companhias. Mas o tamanho dessas travas, no entanto, ainda é difícil mensurar, porque os técnicos do governo ligados à área vão avaliar o processo de forma regional. Ou seja, estudando o impacto do negócio em diversas praças do país, já que o mercado varejista tem importantes players regionais e, por isso, com concentrações de mercado diferenciadas.

Segundo outra fonte ligada ao SBDC, a fusão do Carrefour com o Pão de Açúcar seria parecida, em termos de análise da concorrência, ao processo que envolve a união das Casas Bahia com o Ponto Frio, controlado pelo próprio Pão de Açúcar.

Apesar desse foco, o negócio envolvendo o grupo do empresário Abílio Diniz com o Carrefour também será analisado sob o foco nacional, por exemplo, levando em consideração o poder de compra que ganhariam em relação aos milhares de fornecedores. “É preciso avaliar se esse ganho seria, de fato, repassado ao consumidor”, avaliou a fonte.

Da Agência O Globo

Nenhum comentário:

Postar um comentário