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quinta-feira, 2 de junho de 2011

REORGANIZAÇÃO DA COSAN EM ACORDO COM A SHELL

 
Peter Voser: Estamos construindo uma posição de liderança no país mais eficiente do mundo na produção de etanol

Maior do mundo em açúcar, etanol e bionergia

Divida carregada pela Cosan para a Raizen será de R$ 4,94 bi, mais outros ajustes

A Cosan concluiu a reorganização societária conforme estabelecido no Framework Agreement (acordo) assinado com a Shell. A formação da Raizen Energia e da Raizen Combustíveis resulta na maior produtora mundial de açúcar, etanol e bioenergia a partir da cana-de-açúcar e numa das maiores distribuidoras de combustíveis do mercado brasileiro. A divida liquida contribuída pela Cosan para a Raizen será de R$ 4,94 bilhões, acrescidos de outros ajustes.

Rubens Ometto Silveira Mello será o Presidente do Conselho de Administração das duas empresas pelo período de duração da joint venture. O negócio ainda está sendo analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), o que não suspende a integração das companhias.



Raízen



A Raízen vai produzir e vender mais de 2 bilhões de litros por ano do biocombustível de menor teor de carbono disponível comercialmente, o etanol feito de cana-de-açúcar no Brasil. A companhia distribuirá anualmente biocombustíveis e mais de 20 bilhões de litros de outros combustíveis para os segmentos de indústria e transporte, através de uma rede combinada de quase 4.500 postos de serviços da marca Shell.

No Brasil, ela passa a ser a terceira maior empresa de distribuição de combustíveis. Os planos prevêem ainda a expansão da atuação da empresa nos próximos anos, com o incremento da exportação de etanol para outros mercados importantes.

As 24 usinas da Raízen têm capacidade para processar até 62 milhões de toneladas de cana em açúcar ou etanol por ano, com a flexibilidade de poder se adaptar à demanda do mercado. "Estamos construindo uma posição de liderança no país mais eficiente do mundo na produção de etanol", diz o CEO da Shell, Peter Voser.

"Os biocombustíveis sustentáveis com baixo teor de carbono serão cada vez mais importantes no mix global de combustíveis automotivos", declarou em nota.

"Esse é um ponto crucial na busca por fontes de energia alternativa", diz o presidente do Conselho da Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello. "A Raízen é uma das maiores empresas do Brasil e está pronta para oferecer ao mercado internacional uma solução limpa, renovável e viável economicamente", afirmou.



Atendendo à demanda



Novas políticas energéticas na Europa e nos Estados Unidos estão apontando para o uso maior de biocombustíveis, que já são responsáveis por cerca de 4% do consumo de combustível automotivo na Europa e 3% nos EUA. Globalmente, os biocombustíveis atendem a cerca de 3% da demanda de combustíveis para transporte rodoviário. A Shell acredita que essa participação vai aumentar para 9% até 2030.

O Brasil é líder mundial no uso de biocombustíveis no transporte. Para as companhias, é provável que esses produtos representem mais de 40% do mix de combustíveis automotivos do país até 2030, o dobro da proporção atual.

A capacidade de produção anual da Raízen no momento é suficiente para atender a quase 9% da demanda atual de etanol no Brasil. "O modelo de negócios da Raízen, que combina os ativos da Shell e da Cosan e tem acesso direto aos consumidores, representa um progresso no setor de biocombustíveis", diz o CEO da Cosan, Marcos Marinho Lutz.



Produção de biocombustíveis com melhores benefícios ambientais



De acordo coma Cosan, a transformação de cana-de-açúcar em etanol traz uma série de benefícios ambientais, em comparação com outros processos de produção de biocombustível. À medida que cresce, a cana-de-açúcar absorve CO² a uma taxa geralmente maior do que outros cultivos para biocombustíveis, como a soja.

O etanol produzido pelas usinas de cana-de-açúcar brasileiras emite cerca de 70% menos de CO² do que a gasolina, quando os processos de cultivo e produção são levados em conta. Desde 2003, o uso de etanol no Brasil evitou a emissão de 103 milhões de toneladas de CO² na atmosfera, ao substituir o consumo de gasolina, de acordo com a Unica.

Para aumentar ainda mais a produtividade, a Raízen utilizará o seu próprio sistema avançado de informações geográficas para monitorar sua terra. Isso permitirá aos cientistas fazer previsões precisas sobre o rendimento das safras e ajustar o uso de fertilizantes ou controle de pragas, por exemplo, para ajudar a aumentar a produção.

"O etanol de cana-de-açúcar do Brasil é um dos biocombustíveis mais sustentáveis e de menor teor de gás carbônico", diz o vice-presidente executivo de Energia Alternativa da Shell, Mark Gainsborough. "Esperamos o desenvolvimento de biocombustíveis avançados, para nos beneficiarmos da matéria-prima da Cosan e de sua expertise em produção de biocombustíveis em grande escala. Isso tem o potencial de acelerar a viabilidade comercial, no futuro, de etanol de celulose", declara.

A transação inclui parte da participação da Shell na firma Iogen, que usa enzimas para decompor resíduos de plantas para a produção de etanol, bem como a participação da Shell na Codexis, desenvolvedora de "super enzimas" para a transformação mais rápida de resíduos de plantas em combustíveis automotivos.



Produção sustentável



A Raízen está trabalhando para conquistar certificação para todo o etanol produzido por suas próprias operações nos próximos anos. A empresa também planeja ter certificado para todo o etanol produzido a partir de cana de outros fornecedores.

A companhia está bem avançada na mecanização da colheita, à frente das exigências que devem entrar em vigor em 2014, no estado de São Paulo, onde o crescimento da produção é maior. A empresa já usa máquinas em torno de 64% de suas terras em que seu uso é possível (com um declive inferior a 12%). As emissões de CO² podem ser reduzidas porque a mecanização evita a queimada da palha da cana, uma medida necessária no caso de corte manual.

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