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domingo, 24 de julho de 2011

17/7/2011 Transporte: Outsourcing ou frota própria?

A decisão sobre ter frota própria, ou praticar o outsourcing (utilizar ativos de terceiros), é considerada uma das decisões mais importantes quando falamos de estratégia de transporte.

Neste caso, o processo decisório deve considerar além da qualidade e do custo do serviço, a viabilidade e rentabilidade financeira das alternativas.

Atualmente as empresas, principalmente as de grande porte, têm dado grande foco na rentabilidade sobre os investimentos dos acionistas, e utilizar terceiros nas suas operações de transporte ou não, tem sido um dos principais pontos de decisão.

Como a rentabilidade sobre investimentos é o resultado do lucro sobre os investimentos do acionista, a maneira mais rápida de aumentar a rentabilidade, é reduzir os investimentos dos acionistas, o que pode ser feito através da utilização de transporte terceirizado. Uma série de características da operação e do setor, contribuem para o processo decisório de propriedade ou não da frota, dentre estas se destacam:

  • Tamanho da operação: Quanto maior o tamanho da operação de transporte, maior a possibilidade de que a utilização de frota própria seja mais interessante do que a utilização de terceiros. Primeiramente porque a atividade de transporte apresenta enormes economias de escala, quanto maior a operação, maior as oportunidades de redução de custos. Segundo porque as operações de transporte estão ficando cada vez mais sofisticadas em termos de tecnologia e gestão. Ser pequeno significa ter pouca capacidade de manter equipes especializadas e de fazer investimentos contínuos em tecnologia, inclusive em tecnologias de informação.

  • Capacitação interna: A crescente evolução do transporte faz com que a capacitação interna para planejar, operar e controlar, seja cada vez mais decisiva para o desempenho da operação. Nada adianta ser grande e ter recursos, se a organização não possui a capacitação interna para gerir de forma eficiente sua operação de transporte, e não está preparada para desenvolvê-la internamente.

  • Competência do setor: Existem situações onde uma empresa deseja terceirizar sua operação de transportes, mas fica impossibilitada de fazê-lo, pois tem dificuldades de encontrar um prestador de serviços capaz de atendê-la ao custo e com a qualidade de serviços já alcançados internamente, ou seja, quanto maior a competência interna, e menor o desenvolvimento do setor numa determinada região, menor a chance de encontrar alguém capaz de substituir a operação interna com vantagens de custo e qualidade.

  • Cargas de retorno: Uma das melhores alternativas para redução do custo de transportes é a captação de cargas de retorno. Inicialmente, empresas prestadoras de serviços de transporte, têm maiores chances de captar cargas de retorno, do que uma empresa cujo negócio não seja a prestação de serviços de transporte. Isto porque uma empresa especializada possui inúmeros clientes espalhados geograficamente, o que aumenta as chances de combinação de fretes de ida e volta. No entanto, nos casos de embarcadores de grande porte, com ampla atuação territorial, a combinação de cargas de ida e volta pode se tornar viável, dispensando a necessidade de um terceiro. Além disso, é sempre possível que um embarcador busque outra empresa com fluxos invertidos de transporte, a fim de estabelecer uma parceria, que permita o uso dos mesmos ativos de transporte, via coordenação de embarques, a fim de maximizar a utilização de cargas no retorno.

  • Modal utilizado: O modal utilizado também influencia a decisão de propriedade da frota, quanto mais intensivo em capital for o modal, como por exemplo, ferrovia ou dutovia, maior a possibilidade de utilização de um terceiro. Modais intensivos em capital dependem de escala para ser eficientes, o que na maioria das vezes os tornam inviáveis a um embarcador operar tais modais. Já no caso de veículos rodoviários, existe grande flexibilidade de volume, o que aumenta a atratividade de frota própria.
No Brasil grande parte das maiores empresas privadas não possuem frota própria. Mesmo nos casos onde isto não se verifica, existe a tendência de combinar frota própria com frota de terceiros.
Percebe-se que mesmo as empresas que possuem frota própria, também utilizam frota de terceiros para completar sua capacidade, essa tendência é fortemente influenciada pelos baixos preços cobrados pelos transportadores autônomos, o que torna muito baixa a atratividade de investimentos em frota própria.

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