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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Para atingir o objetivo, seja menos objetivo


A estratégia indireta é melhor que a direta, diz um economista britânico

Por Época NEGÓCIOS
Ilustração S.G. Serenade
Para ir do ponto A ao ponto B, há sempre um caminho reto, direto, curto... e que quase nunca te leva até lá. Em quase todos os campos da existência, é melhor pegar a estrada sinuosa, diz o economista britânico John Kay, no livro Obliquity (“Obliquidade”), lançado em abril nos Estados Unidos.
A começar pela felicidade. Como disse o filósofo britânico John Stuart Mill, “só são felizes aqueles que têm a mente fixa em algum objetivo outro que não sua felicidade; na felicidade dos outros, na melhora da humanidade, até em alguma arte ou busca, perseguida não como um meio, mas como um fim. Buscando assim algo diferente, eles acham a felicidade no caminho”. De forma similar, quando Jack Welch, ex-CEO da GE, elogiou o caminho oblíquo, disse que a missão de “maximizar o valor dos acionistas” não é um bom guia para a ação. “Não é uma estratégia que ajude a saber o que fazer quando se chega ao trabalho.”
Um dos melhores exemplos do livro de Kay é a estratégia para apagar incêndios em florestas. No final do século 19, o Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos adotou a estratégia de tolerância zero com o fogo. Qualquer foco, por menor que fosse, era extinto. Mas a incidência de incêndios não diminuiu. Ao contrário, aumentou. Uma simulação por computador sugere um motivo. A maioria dos incêndios é pequena e se extingue sozinha. Ao fazê-lo, remove combustíveis do subsolo e cria obstáculos à expansão de futuros incêndios. Em 1972, o Serviço de Parques adotou outra regra. Combateria todos os incêndios feitos pelo homem, ignorando os naturais. Dezesseis anos depois, um incêndio devastou Yellowstone. Hoje a política é deixar os bombeiros usarem seu juízo para decidir, com base na experiência, quais incêndios devem ser combatidos.
A solução oblíqua é a única possível em ambientes complexos, que entendemos mal e mudam de natureza. “Objetivos de alto nível – construir uma empresa sustentável, ter uma vida plena, criar uma obra de arte – são quase sempre imprecisos demais para que tenhamos qualquer ideia clara sobre como alcançá-los. Entendemos o significado das metas e as atingimos quando as traduzimos em metas intermediárias e ações. Nós as interpretamos e reinterpretamos enquanto ganhamos conhecimento sobre o ambiente em que operamos. É por isso que as estratégias bem-sucedidas são oblíquas, em vez de diretas”, diz Kay.
A estratégia oblíqua, porém, não deve ser confundida com decisão intuitiva. Tentativa e erro é um processo disciplinado. “O decisor direto percebe uma ligação direta entre intenções e resultados; o oblíquo acredita que a intenção não é necessária nem suficiente para assegurar o resultado. O direto revê todos os possíveis efeitos; o oblíquo escolhe dentro de uma gama bem mais limitada. O direto junta todas as informações disponíveis; o oblíquo reconhece os limites do seu conhecimento. O direto maximiza seus objetivos; o oblíquo se adapta continuamente. O direto insiste em consistência, em tratar o mesmo problema sempre da mesma forma; o oblíquo jamais encontra exatamente o mesmo problema duas vezes.”

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