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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ticket se une a Itaú e MasterCard no cartão para frete

21/11/2011  |  Jornal Impresso  |  Valor Econômico [Aline Lima]
Ticket se une a Itaú e MasterCard no cartão para frete
Sergio Zacchi /Valor

Melantonio Filho: volume de receita do Ticket Frete tem grande potencial e empresa ambiciona liderar segmento

O emergente mercado de cartões para pagamento de frete rodoviário ganhou um concorrente de peso. A tradicional Ticket, líder no segmento de refeição-convênio, acaba de receber a homologação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para atuar como administradora do meio eletrônico, figura que faz o elo entre o contratante do serviço, o caminhoneiro e o órgão regulador. Na empreitada, a empresa vai se juntar ao Itaú Unibanco e à bandeira MasterCard. Tal união encontra concorrentes já estabelecidos, como a Visa, com a emissão do seu Visa Cargo pelo Bradesco.
Segundo estimativas da consultoria Deloitte trata-se de um ramo que movimenta anualmente cerca de R$ 60 bilhões, mas que há 50 anos usa um meio de pagamento arcaico: a carta-frete, documento sem nenhuma legislação e fora da fiscalização do poder público. Pelas regras da ANTT, até o fim do mês todo o fluxo de pagamento de frete a caminhoneiros terá de trafegar, obrigatoriamente, pelo sistema financeiro formal. O objetivo, ao criar a figura do administrador, é garantir ao caminhoneiro o pagamento por meios eletrônicos aprovados pela agência.
A Ticket estreia no setor com a ambição de conquistar a liderança. A parceria com a MasterCard vai permitir acesso a uma rede credenciada de 1,8 milhão de estabelecimentos comerciais, o mesmo número de caixas eletrônicos da rede Cirrus, que possibilitará o uso do cartão também para saque. O Itaú terá a prerrogativa de dar crédito às transportadora que adquirirem o meio de pagamento.
Para a Ticket, o objetivo é conquistar, em cinco anos, entre 25% e 30% de participação de mercado. Até 2016, portanto, o novo cartão deverá contribuir com um volume de receita superior ao atual carro-chefe, o voucher refeição. "É muito volume para pouca margem", diz Olwaldo Melantonio Filho, presidente da Edenred, dona da Ticket. A Edenred Brasil movimentou R$ 10,1 bilhões em 2010 e obteve lucro líquido de R$ 191,87 milhões.
Já foram homologadas pela ANTT quatro empresas - Repom, Pamcary (que usa bandeira Visa), DBTrans e Policard - e outros pesos-pesados ensaiam estrear. O Bradesco, que emite o Visa Cargo desde 2009 e conta com a distribuição da Pamcary e de outras empresas de logística, pretende ampliar sua atuação no setor, tornando-se também um administrador homologado pela ANTT.
O contrato da Ticket com a MasterCard não é exclusivo e a bandeira está para fechar outras duas parcerias no segmento, diz Alexandre Magnani, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Mastercard Brasil e Cone Sul.
Conta a favor da Ticket a vantagem de já atuar no mercado de frotas há pelo menos duas décadas (no de frota pesada, são sete anos) com o seu Ticket Car, que neste ano deve faturar R$ 2 bilhões, segundo Melantonio Filho. O Ticket Car, que soma hoje 330 mil plásticos, é usado para abastecimento e manutenção de veículos. Por um sistema de GPS, a Ticket consegue também monitorar excesso de velocidade, rotação do motor, entre outras demandas das transportadoras.
É em cima dessa base de clientes que a Ticket vai começar a oferecer o novo Ticket Frete. O Itaú também pretende distribuir o cartão para seus clientes do segmento de transporte e logística. O Ticket Frete servirá tanto para o pagamento do serviço de frete como de combustível, alimentação, oficinas e demais despesas de viagem. Administradoras de pedágio também estão no alvo da Ticket.

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