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domingo, 27 de novembro de 2011

"Um País inovador depende de jovens empreendedores dispostos a errar"

"Um País inovador depende de jovens empreendedores dispostos a errar"


-- CAROLINA DALL'OLIO --
André Martins, presidente do grupo Jovens Líderes Empresariais (JLide), fala sobre como os novos empresários estão criando negócios mais competitivos


Divulgação
Para especialista, jovens criam empresas não apenas para ganhar dinheiro
De cada três empreendedores brasileiros, um abriu a empresa por necessidade e dois montaram seu negócio porque de fato identificaram uma oportunidade. A informação é do Global Entrepreneurship Monitor 2010 (GEM), relatório que mapeia o nível de empreendedorismo de 59 países ao analisar empresas com até 42 meses de vida.

Mas nem sempre foi assim. Até 2003, os empreendimentos criados por necessidade eram maioria no País. Além da melhoria nas condições econômicas do País, outro fator que o GEM aponta como relevante para a mudança da natureza empreendedora brasileira está no perfil dos novos empresários. Mais jovens e mais escolarizados, eles têm conseguido criar empresas mais competitivas e conectadas  aos avanços tecnológicos.

Nesta entrevista, o empresário André Martins, presidente do grupo Jovens Líderes Empresariais (JLide) fala sobre o perfil do jovem empreendedor brasileiro e sobre as empresas que eles estão ajudando a criar:

Estadão PME: Qual é o perfil do jovem empreendedor hoje?
André Martins: Em geral, são jovens de até 30 anos que criam empresas não apenas para ganhar dinheiro. Eles têm a visão de construir empregos, com foco em soluções e alternativas que integrem tecnologia.

Estadão PME: Mas por que eles têm essas características? O que mudou no mundo que os faz agir assim?
André Martins: Vivemos no mundo da tecnologia. É um mundo em que as oportunidades surgem muito rapidamente e precisam ser aproveitadas também com velocidade. Há novos aplicativos, novas ferramentas surgindo a todo minuto. É muita gente criando, inovando, pensando. A informação circula rapidamente. Por isso, o cenário é favorável ao jovem empreendedor, que se adapta bem a essa situação. É claro que o empresário brasileiro ainda enfrenta dificuldades para acompanhar essas mudanças, por falta de preparo. Muitas vezes temos que usar a criatividade para superar nossa falta de capacitação. Mas estamos avançando.

Estadão PME: E qual o perfil das empresas criadas pelos jovens?
André Martins: Eles tendem a criar empresas mais flexíveis, com foco em resultados e metas claras. São empresas que funcionam com base em relações de confiança muito fortes. É isso: a palavra é “confiança”. Isso faz com que essas empresas evoluam com agilidade, sem muitas amarras.

Estadão PME: Mas nessas estruturas também existem relações conflituosas. Como ficam, por exemplo, os profissionais mais maduros nesse contexto?
André Martins: O conflito de gerações é algo que sempre ocorreu. É algo inerente às mudanças de ideias e hábitos da sociedade. Como as mudanças ocorrem agora com muita velocidade, o choque talvez seja maior. Mas o que os jovens empresários precisam entender é que uma nova geração não constrói uma nova identidade sozinha. Não é inteligente deixar os profissionais mais experientes de lado. Pelo contrário. É preciso que os empreendedores tenham uma visão de longo prazo e se cerquem de pessoas com características complementares às suas. Os jovens não têm experiência, mas os mais velhos têm, e isso faz toda diferença.

Estadão PME: Quais são as falhas mais comuns dos jovens empreendedores?
André Martins: Há muitos jovens turrões. Com uma tendência autoritária mesmo. Ele acha que ele criou, ele sabe, só ele conhece. Então as coisas têm que ser feitas do jeito dele e pronto. Há casos em que isso até pode dar certo, como aconteceu com o Steve Jobs (fundador da Apple). Mas é claro que essa não é a regra. Então muitos desses empresários vão quebrar a cara ao adotar essa postura. Mas o erro é válido. É preciso errar.

Estadão PME: Por quê?
André Martins: Essa geração tem a chance de aprender a valorizar o erro. É claro que não devemos glorificar o erro, mas temos que valorizá-lo. Um empreendedor cuja empresa faliu teve a chance de aprender com os erros e poderá criar um negócio muito melhor na segunda tentativa. É isso que essa geração tem que entender. Precisa aprender com o erro e superar a dificuldade, em vez de simplesmente desistir. Esse é o princípio da inovação. E os jovens são aqueles que têm mais potencial para inovar, porque podem se arriscar mais. Não têm uma família para sustentar. Um País inovador depende muito de jovens empreendedores dispostos a errar.

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