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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Líderes do varejo francês brigam por mercado brasileiro

O futuro do varejo brasileiro pode depender das habilidades de negociação de um executivo sueco da área de marketing e de um financista franco-argelino.
Lars Olofsson, presidente-executivo do Carrefour, e Jean-Charles Naouri, sua contraparte no Casino, estão batalhando pelo maior grupo de varejo do Brasil, o Pão de Açúcar, e por uma forte presença na sétima maior economia do mundo.
O sueco Olofsson, 59, quer fundir as operações brasileiras do Carrefour com o Pão de Açúcar para criar um grupo com vendas anuais de mais de 40 bilhões de dólares e com cerca de 27 por cento do varejo de alimentos do Brasil.
Mas Naouri, 62, tem afirmado que a participação do Casino no Pão de Açúcar torna ilegal qualquer avanço do Carrefour sobre o grupo brasileiro.
O SUECO
Apesar de dirigirem duas das maiores redes de varejo da Europa, nem Olofsson ou Naouri são varejistas de carreira, mas isso necessariamente não é uma desvantagem na batalha que será travada com muita conversa nos bastidores da política e possivelmente até por disputas judiciais.
Olofsson passou 32 anos no grupo de alimentos Nestlé antes de ser escolhido para liderar o Carrefour em 2008 pelo principal acionista da rede de varejo, a Blue Capital.
Na Nestlé, como responsável pelas operações francesas, nórdicas e da zona do euro, Olofsson ganhou reputação por orientar o grupo a mudanças, e era visto como bom comunicador com faro para marketing.
"Ele é uma pessoa que pode arrasar com alguém, mas as pessoas normalmente não se dão conta de que estão sendo arrasadas por ele", disse o consultor de relações com investidores James Amoroso, cujos clientes incluem o Carrefour e que conhece Olofsson há mais de 10 anos.
No Carrefour, Olofsson lançou uma série de iniciativas. Seis meses depois de assumir o comando da rede, ele anunciou um plano de três anos para alcançar 4,5 bilhões de euros em economias de custos e em setembro de 2010 revelou um plano de 1,5 bilhão de euros para reinventar o formato central de varejo do Carrefour: o hipermercado.
Os resultados das iniciativas apontam para direções diferentes, entretanto, e há dúvidas sobre a capacidade de Olofsson de se manter firme diante da Blue Capital.
No começo deste ano, a Blue Capital apoiou um plano para cisão dos ativos imobiliários do Carrefour, mas o projeto motivou muitas reclamações dentro e fora da companhia.
Olofsson, graduado em Administração de Negócios na Universidade Lund, na Suécia, foi forçado a desistir da ideia de separar os ativos imobiliários do grupo, mas indicou que poderia retomar o plano.
"Ele sabe trabalhar em equipe. Ele sabe ouvir conselhos. Ele sabe como delegar", disse o presidente-executivo da empresa de publicidade Publicis, Maurice Levy, que conhece Olofsson há 30 anos. "Ele respeita as pessoas. É uma vantagem, mas também um inconveniente, já que algumas vezes ele não pressiona as pessoas o suficiente."
O desafio agora não é simples, já que a união do Carrefour no Brasil com o Pão de Açúcar é chamada de "ilegal" pelo Casino, que fez dois pedidos de arbitragem contra o sócio brasileiro, o empresário Abilio Diniz, por negociar com o Carrefour sem seu aval e não respeitar um acordo de acionistas.
O ACADÊMICO DE FERRO
Filho de um médico e de uma professora de inglês, Naouri era destinado a grandes feitos desde jovem, quando se graduou na Ecole Normale Superieure e Ecole Normale d''Admnistration (ENA), celeiros da elite política e administrativa da França.
Ele iniciou sua carreira em ministérios do governo francês, incluindo o de Finanças, onde chefiou a equipe do ministro socialista Pierre Beregovoy na década dos anos 1980, antes de ir para o setor privado e no Banco Rothschild em 1987.
"Ele é excepcionalmente esperto e você pode apostar que ele está sempre pelo menos três passos à frente", disse um colaborador, acrescentando que Naouri é conhecido por sua "determinação e seu grande espírito de combate".
Fã de ópera que lê grego e latim, Naouri chegou ao setor de varejo por meio do Rallye, grupo de investimentos que tem 38,5 por cento do capital do Casino.
Em alguns anos, ele se envolveu em sua primeira batalha, ajudando o Casino e o Rallye a se dividirem com uma oferta do grupo francês Promodes em 1992, que depois viria a ser adquirido pelo Carrefour.
Desde que se tornou presidente-executivo do Casino, em 2005, Naouri recebeu o crédito por mudar os rumos da companhia, separando negócios deficitários e realizando sua abertura para mercados emergentes de rápido crescimento como Brasil, Vietnã, Colômbia e Tailândia.
"Um homem extremamente inteligente e muito exigente", disse um analista que conhece Naouri e não está surpreso pela robusta resposta do Casino às negociações entre Carrefour e Diniz, que também incluiu uma determinação judicial que permitiu uma varredura nos escritórios do Carrefour por oficiais de justiça franceses.
Uma fonte próxima ao assunto disse à Reuters nesta segunda-feira que Naouri está no Brasil para negociar com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que ofereceu apoio financeiro ao acordo entre Pão de Açúcar e Carrefour. O banco de fomento brasileiro disse que não vai suportar o negócio se não houver consentimento do Casino.
Apesar de seu duro posicionamento até agora, no entanto, aqueles que conhecem Naouri disseram que um acordo não está descartado.
Embora Naouri e Olofsson não sejam próximos, os dois chegaram a um acerto no ano passado por meio do qual o Casino comprou os ativos do Carrefour na Tailândia.
"Ele (Naouri) não é uma pessoa muito simpática... Mas ele é flexível. Ele pode estar preparado para negociar se for do seu interesse", disse o analista.

A importância da versão mobile para o Email Marketing


Por Virid Interatividade Digital*
 
Atualmente as pessoas buscam por notícias, atualizações, quase que em tempo real. Os aparelhos celulares estão aí para acompanhar essa tendência, com telas maiores e novas tecnologias. O número de usuários mobile cresce a cada instante, mas… e seu email marketing, já foi adequado para versão mobile? 
Não podemos esquecer que, um email para ser visualizado pelo celular, deve conter menos texto e mais informação relevante. O destinatário nem sempre está com toda a atenção voltada para a mensagem, por isso você deve trabalhar seu texto de forma atrativa e bem objetiva.
 
Ignorar a versão mobile pode trazer consequências. Se os seus assinantes são móveis e seu email não está otimizado para estes ambientes, você corre o risco de você corre o risco de ficar fora da comunicação.
 
Se você não consegue chegar aos destinatários da maneira que eles preferem, seus emails não serão lidos. Faça uma análise da sua base e fique atento ao número de usuários que visualizam sua mensagem através de um dispositivo mobile. Outra coisa importante é inserir em seu site a opção para o recebimento da mensagem na hora que um novo usuário se cadastrar em sua base, ofereça as opções “web” e “mobile” para o futuro destinatário escolher qual versão atende melhor às necessidades dele.
 
*A VIRID Interatividade Digital é líder em soluções para envio e gestão de email marketing.

Inflação brasileira subiu 286% em 17 anos

A inflação brasileira acumulada medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) entre julho de 1994 e maio de 2011, foi de 286,63%, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Ainda de acordo com a medição do IPCA, os cinco itens que mais pressionaram a inflação geral dos preços nos últimos 17 anos foram combustíveis (790,36%), telecomunicações (700,7%), aluguéis e taxas (634,17%), transporte público (586,78%) e pescados (469,5%).
Durante o governo do recentemente falecido ex-presidente Itamar Franco, foi criado o plano Real, quando o também ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, ocupava o Ministério da Fazenda. Em sua primeira fase, de dezembro de 1993 a março de 1994, a equipe econômica decidiu promover um ajuste fiscal.

Itamar queria fim da inflação, mas não sabia como, diz Ricupero

O ex-presidente Itamar Franco (1992-1994), que morreu no último sábado, tinha certeza que queria o fim da inflação como principal marca de seu governo, embora não soubesse bem como fazer isto, disse à BBC o diplomata e ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero.
Ricupero foi titular da Fazenda entre março e setembro de 1994, sob a Presidência de Itamar. Foi na gestão do ex-ministro, em julho de 1994, que o real começou a ser adotado como moeda no Brasil.
"A importância de Itamar Franco para a estabilização da economia foi decisiva porque, naquele momento de transição (após o impeachment de Fernando Collor), ele era o único que acreditava que seria possível dar um golpe definitivo na inflação", disse o ex-ministro.
O diplomata afirma, no entanto, que Itamar não "tinha uma ideia clara" de como fazer isso.
"Na cabeça dele, o (Plano) Real seria de novo um tipo de Plano Cruzado", diz Ricupero. "Inclusive, depois que o real foi introduzido, Itamar ainda queria um congelamento de preços."
Ricupero afirma que, em diversas entrevistas, Itamar Franco o descreveu como o "sacerdote" ou "apóstolo" do real.
"Claro que fico honrado com o reconhecimento, mas tenho a impressão de que ele fazia isso principalmente para retirar um pouco do crédito pelo Plano Real da equipe de Fernando Henrique Cardoso."

Plano Real

"Naquele momento de transição, ele (Itamar Franco) era o único que acreditava que seria possível dar um golpe definitivo na inflação."
Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda
'Mágoa'
Fernando Henrique era ministro da Fazenda em fevereiro de 1994, quando fez o lançamento do Plano Real – com a instituição da Unidade Real de Valor (URV). Em março, deixou o governo para lançar sua candidatura à Presidência.
O embaixador diz que percebia uma clara "mágoa" em Itamar em relação a FHC – que se elegeu presidente depois da implantação do plano – por não receber mais crédito pela estabilização da economia.
"Por razões político-partidárias, resolveu-se dar a Fernando Henrique Cardoso todo o crédito e a paternidade pelo real, o que não é correto", diz Ricupero.
"É indiscutível a importância de Fernando Henrique, mas parece que existe em seus aliados uma impressão de que reconhecer os méritos de Itamar representaria alguma diminuição do valor de FHC."
Ricupero disse que, quando Itamar o convidou para substituir Fernando Henrique no Ministério, o presidente lhe “disse que queria alguém que pudesse conduzir a implantação do Plano Real com a equipe de Fernando Henrique Cardoso, mas que não fosse membro da equipe direta de FHC", disse Ricupero.
"Quando perguntei ao presidente por que ele não queria alguém muito próximo de FHC, ele me respondeu ao estilo mineiro, dizendo apenas que todas as possibilidades tinham sido estudadas e que eu seria a única solução. Tenho a impressão de que ele queria alguém que fosse identificado como pessoa dele e não do FHC."
Foto: José Cruz/Abr
Itamar morreu no último sábado em SP, onde se tratava de leucemia (Foto: José Cruz/Abr)
O diplomata afirma ter sido a primeira pessoa convidada por Itamar Franco, logo que este assumiu a Presidência, para ocupar a pasta da Fazenda.
"Eu era embaixador em Washington, e curiosamente foi o Fernando Henrique, na época já escolhido para a pasta das Relações Exteriores, que me ligou para transmitir o convite do presidente Itamar Franco para assumir a pasta da Fazenda", diz Ricupero.
"Eu argumentei que estava afastado havia muito tempo do Brasil e não me sentia pronto a assumir o Ministério. Anos depois, acabei assumindo."

Cartões próprios de lojas empurram até plano de saúde


Ao passar pelas lojas das principais redes varejistas do país, o consumidor costuma ser abordado por vendedores oferecendo os cartões de bandeira própria (também conhecidos como private label). O grande atrativo dessa modalidade de pagamento é a possibilidade de descontos em determinados produtos, além de outros benefícios em empresas parceiras. O cartão pode ser uma boa alternativa para clientes conscientes, mas um veneno para os descontrolados.
Especialistas acreditam que essa modalidade de pagamento tem, ao menos, três problemas graves: a facilidade de crédito, que pode levar o consumidor ao superendividamento; as armadilhas embutidas nos contratos, que têm taxas de juros salgadíssimas nos parcelamentos de longo prazo; e a enxurrada de serviços adicionais empurrados aos clientes, como Seguros, títulos de Capitalização e até convênios de Saúde. Sem contar que vários deles cobram taxa de anuidade, que engole parte da vantagem de parcelar em número maior de vezes, sem juros, ou com algum desconto.
 
A utilização dos cartões de bandeira própria já corresponde a uma parcela notável do setor. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostram que, no ano passado, essa modalidade movimentou R$ 68,5 bilhões — o que corresponde a 12,64% de todas as transações do segmento, que foi de R$ 541,9 bilhões. Nos primeiros três meses deste ano, o crescimento desses cartões foi de 16%, na comparação com igual período em 2010. Os números justificam a importância que o setor varejista dá para essa forma de pagamento.
 
“Além de fidelizar o cliente, esse tipo de cartão é um instrumento importante para quem ainda não tem acesso a um meio de pagamento bancário”, lembrou o vice-presidente da Associação Brasileira de Cartões de Crédito e Serviço (Abecs), Paulo Rogério Caffarelli. Segundo ele, essa modalidade de pagamento possui dois tipos de serviços distintos. Além dos cartões híbridos — que são emitidos por uma determinada rede varejista, mas também aceitos em outros estabelecimentos —, existem aqueles que só são recebidos em uma determinada loja, fornecendo prazos maiores de pagamento e descontos.
 
Entretanto, o consumidor precisa saber como utilizar esse tipo de cartão a seu favor. De acordo com o especialista em finanças pessoais Altemir Farinhas, algumas situações fazem com que a modalidade seja um bom negócio. “Se, por exemplo, uma pessoa quiser comprar um presente, e for receber seu pagamento 20 dias após essa compra, usar o cartão será vantajoso. Mas ela precisa comprar com alguma frequência naquele estabelecimento. Não compensa para quem realiza compras esporádicas”, explica o consultor. Por isso, é sempre fundamental que o consumidor, antes de aceitar o cartão, descubra se ele possui tarifas de manutenção ou anuidade. A cobrança dessas tarifas varia de acordo com a loja emissora.
 
Ele ressalta que muitas pessoas acabam se deixando levar na hora de conseguir o crédito. “É do interesse da loja que o consumidor realize as compras o mais rápido possível, por isso, há tanta agilidade na liberação”, constata Farinhas. Não por acaso as carteiras dos consumidores brasileiros estão recheadas desses plásticos. “Estamos chegando a uma média de quatro cartões por pessoa. É um número razoável, mas ainda distante de países como Estados Unidos, onde os clientes chegam a ter 14 cartões”, analisa.
 
Para Reinaldo Domingos, presidente do Instituto Dsop de Educação Financeira, é importante que o consumidor tenha seu orçamento estruturado antes de botar as mãos nos cartões de lojas. “O ideal é que o consumidor não tenha um cartão com limite de crédito superior a 50% do seu salário. Essa margem é que vai limitar os gastos e fazer com que ele consiga honrar seus compromissos”, ressalta. Muitas pessoas perdem o controle porque só se preocupam com o valor de cada parcela e se ela cabe no orçamento atual — e acabam perdendo dinheiro por isso. “A pessoa fica encantada com a possibilidade de compra naquele momento, mas esquece que vai precisar pagar aquilo por vários meses. É por isso que a pessoa acaba endividada e perde o controle dos gastos”, avalia.
 
Outro ponto de atenção dos cartões de selo próprio é a taxa de juros praticada na modalidade, que, na maioria das redes varejistas, é de pelo menos 6% ao mês. “O sistema de crédito é voraz. As instituições vivem dos juros. Por isso, é fundamental ter o domínio pleno do cartão, que pode ser um instrumento facilitador ou uma grande dor de cabeça, dependendo da postura do usuário”, compara Domingos. Se o consumidor estiver em atraso ou atolado em dívidas desse meio de pagamento, a recomendação é que ele faça um diagnóstico de seu atual orçamento e cogite realizar outra modalidade de empréstimo, com juros menores, e fazer a troca da dívida.
 
Apesar de ser um instrumento que pode ser vantajoso para o consumidor, o ímpeto das redes varejistas em buscar novos clientes ultrapassa a barreira do razoável. O Correio visitou lojas das principais redes de vestuário e de alimentos do país que administram seus próprios cartões e constatou que a facilidade na emissão dos plásticos abre caminho também para as fraudes. Em pelo menos duas lojas, apenas os números de RG e CPF eram necessários para conseguir uma pequena linha de crédito. A apresentação de comprovante de renda e de residência facilitaria a liberação, mas não chegaria a ser um requisito obrigatório.[2]
 
Além disso, produtos financeiros passam por uma maquiagem e são vendidos aos clientes que, desavisados, acabam levando gato por lebre. Seguros que garantem o pagamento de prestações em caso de acidentes pessoais ou demissões são empurrados aos clientes. Em alguns casos, o mesmo seguro permite concorrer a prêmios, com sorteio baseado na loteria federal, semelhantes a títulos de Capitalização, mas sem resgate do valor pago. Em uma das lojas visitadas pela reportagem do Correio, até plano odontológico costuma ser oferecido aos clientes. Ou seja, já é possível entrar em uma loja interessado em adquirir um novo enxoval e sair de lá com seguro de vida e serviços de Saúde — por mais estranho que isso pareça.