Total de visualizações de página

domingo, 10 de julho de 2011

Venda recorde de veículos: veja dicas para não ficar endividado

Quando o consumidor têm um dinheiro extra, logo decidem utilizar para pagar a primeira parcela da compra de um carro, realizando assim um sonho

A + A - Tamanho do texto:
Por Reinaldo Domingos, www.administradores.com.br

inShare




Compartilhar
Imprimir
A indústria automobilística brasileira festeja o ótimo primeiro semestre, quando registrou recorde em vendas, atingindo a assustadora marca de 1,73 milhão de veículos, crescimento de 10% em relação a igual período de 2010. Além disso, as projeções também são boas apontando um crescimento de 5% para este ano, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Se para essa indústria os dados são ótimos, para os consumidores é preocupante, mesmo sem que eles saibam. Isso porque, quando eles têm um dinheiro extra, logo decidem utilizar para pagar a primeira parcela da compra de um carro, realizando assim um sonho. Isso representa um sinônimo de liberdade, possibilitando o deslocamento para onde quiser sem depender dos transportes públicos. Entretanto, na realização desse sonho está o risco do descontrole financeiro. O brasileiro que não detém a cultura de controlar seu dinheiro adequadamente, dificilmente perceberá os reflexos que isso trará no seu bolso, principalmente pelo custo de manutenção deste veículo.

Mas, quanto custa o seu veículo? Hoje com a facilidade de aquisição por meio de financiamentos alongados e o que fica registrado na cabeça do consumidor é que o custo do veiculo será somente a prestação mensal. Aí é que mora o perigo. Tem que prever o custo de manutenção mensal deste, que muitas vezes será maior do que o valor da prestação.

Se colocarmos no papel gastos como combustível, seguro, IPVA, DPVAT, manutenção, depreciação, estacionamentos, lavagem e eventuais multas; ao fim do mês, veremos que ele será responsável por grande parte dos custos de nosso orçamento. Para se ter uma ideia, o custo mensal de um veículo popular usado, no valor de R$ 20 mil, fica em média R$ 500,00, sem contar o financiamento.

Por isso, a decisão de adquirir um carro próprio deve ser muito bem pensada, avaliando os prós e os contras e observando sempre se realmente se têm condições de arcar com esses custos. Na maioria das vezes a pessoa pode esperar um pouco mais antes de adquirir, formando uma boa reserva de dinheiro, que será fundamental no futuro de sua saúde financeira. Mas, o ponto mais assustador, é que muitos brasileiros fazem a opção de adquirir um segundo veículo mesmo sem ser necessário. Essa decisão deve ser muito bem pensada e no caso de não ser extremamente necessária, deverá ser descartada.

Pra quem já está com o veículo e já está enrolado com os custos deste, seguem algumas dicas para não se afundar ainda mais no endividamento:

· Uma boa alternativa é revezar caronas, se tem pessoas que moram próximas e que vão para locais próximos, é interessante formar um grupo, que além de economizar criará novas amizades;

· Utilize o transporte público quando possível, por mais que tenha muitos problemas, é muito interessante, pois, além de economizar, estará colaborando com o meio ambiente;

· Em relação ao combustível sempre busque os preço baixos, mas desconfie dos muito destoantes. Nesses casos, você deverá pesquisar os postos credenciados e regularizados e que tenham testes de sua autenticidade, porém não se acomode com o posto escolhido, visto que poderá existir outros postos com a mesma qualidade e melhor preço, pesquise mensalmente este item de custo;

· Se o carro for flex, faça a análise para saber qual tipo de combustível vale mais a pena, em função da constante variação dos preços. Outra opção que tem sido muito praticada é a transformação do veículo para combustíveis alternativos como o GNV;

· Antes de sair com seu veículo da concessionária ou agência, faça o seguro. Não se esquecendo de pesquisar entre as seguradoras, visto que existe uma grande flutuação de preços junto às mesmas, devido ao sinistro de cada uma delas. Também uma opção que vem crescendo no mercado de seguros são as empresas de proteção do veículo via satélite, que em alguns casos o investimento poderá ser a opção mais em conta;

· Se preocupe com a manutenção constante do veículo, ela pode representar um custo indesejável, mas pode ter certeza, se o veículo quebrar os custos serão maiores e a situação será muito mais indesejável;

· Respeite as leis de trânsitos, você evitará acidentes e multas, que trazem com eles quantias indesejáveis a serem pagas, sem falar que estará respeitando a sua vida e a dos outros.

Enfim, é muito bom ter um veículo, nos trás muita comodidade, entretanto é muito melhor ter o domínio do dinheiro, sabendo que com ele poderá realizar todos os seus sonhos.

Reinaldo Domingos, educador e terapeuta financeiro, presidente do Instituto DSOP, autor da primeira Coleção Didática de Educação Financeira no Ensino Básico (2011) e dos livros Livre-se das Dívidas (2011), Terapia Financeira (2007) e O Menino do Dinheiro (2008), Editora DSOP. 

enadores aprovam convite para ouvir cúpula dos Transportes

A Comissão de Meio Ambiente Fiscalização e Controle do Senado acabou de aprovar requerimento conjunto dos senadores Randolfe Rodrigues (P-SOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT) convidando o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, para prestar esclarecimentos sobre denúncias envolvendo o Departamento Nacional Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Em outro pedido foi aprovada também a ida ao Senado do diretor-geral do Dnit, Luís Antônio Pagot, do chefe de gabinete Mauro Barbosa da Silva, do assessor do gabinete, Luís Tito Bonvini, e do diretor-presidente da empresa pública de ferrovias Valec, José Francisco das Neves. Todos tiveram o afastamento determinado pela presidente Dilma Rousseff, que também transferiu a Nascimento a responsabilidade de dar explicações sobre a denúncia.

Mais cedo, o senador Blairo Maggi (PR-MT), que integra o mesmo partido do ministro, também apresentou requerimento. Segundo Maggi, o comparecimento do ministro no Senado foi previamente acordado.

Aos senadores, Alfredo Nascimento deverá defender que não houve qualquer superfaturamento nos contratos de obras do Dnit como foi apresentado pela revista Veja na edição desta semana. Na reunião com parlamentares ontem o ministro disse que houve um "aumento das obras que estavam programadas para serem feitas e com o passar do tempo, durante o período da eleição, foram colocadas novas obras e novos viadutos dentro da mesma obra".

O comparecimento à Câmara e ao Senado para prestar esclarecimentos foi aconselhado pela bancada do PR na reunião de ontem. Blairo Maggi afirmou que Alfredo Nascimento "prontamente aceitou" a proposta.

ANTT regulamenta o pagamento do frete

Após 10 meses de publicação da alteração da Lei nº 11.442, de 5 de janeiro de 2007, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) regulamentou o pagamento do frete, consolidando, dentre outras regras, a proibição da utilização da tão polêmica "Carta-Frete".

Anteriormente a Lei nº 11.442, alterada pela Lei 12.249, de 11 de junho de 2010, o pagamento do frete nas operações de transporte rodoviário era feito de forma livre, por meio de dinheiro, cheque, depósito bancário, cartões pré-pagos e pela Carta-Frete, modalidade mais utilizada pelo mercado.

A operação da Carta-Frete caracterizava-se pela emissão de um documento simples pelo contratante do transporte, desprovido de permissão legal e era utilizado como "ordem de pagamento" em favor do transportador autônomo. A Carta-Frete era entregue ao transportador autônomo que a utilizava para receber o valor da prestação de seus serviços, apresentando a ordem de pagamento nos locais indicados pelo contratante, no geral, postos de combustível credenciados ou vinculados. Estes, por sua vez, condicionam a disponibilização do dinheiro ao transportador, inadequadamente chamada como "saque", à aquisição de outros produtos e serviços naquele estabelecimento, muitas vezes, praticando preço majorado para o combustível em razão da apresentação da Carta-Frete como forma de pagamento.

Outra ilegalidade da Carta-Frete, que justificou na época a edição da Lei 12.249/2010, ratificando a restrição do pagamento do frete a crédito em conta de depósitos mantida em instituição bancária ou por outro meio de pagamento regulamentado pela ANTT, era as fragilidade de controle fiscal e tributário das operações de frete pagas pela Carta-Frete, que traziam benefícios ilusórios para as partes envolvidas na operação, onde a empresa contratante não recolhia o Imposto de Renda sobre os rendimentos pagos aos transportadores autônomos e estes, por sua vez, não recolhiam as contribuições previdenciárias e do Sistema "S" (Senai, Senac, Senat...), ficando impossibilitados de fazerem uso dos respectivos benefícios, inclusive de comprovar seus rendimentos.

Plano de Marketing passo a passo

O Plano de Marketing é um processo criativo que coordena pessoas, recursos financeiros e materiais, cujo foco central é satisfazer plenamente o consumidor, e gerar resultados positivos para a empresa e a sociedade. A inspiração é a grande sacada da criatividade, mas é somente com a transpiração que você será capaz de transformar o sonho em realidade, ou seja; com muito suor e dedicação se elabora um plano de marketing detalhado e eficaz.

O Plano de Marketing em 4 Partes:

Parte 1: OPORTUNIDADE. Análise da Situação e Objetivos.
Análise da situação nova que oferece uma oportunidade convincente para a empresa ultrapassar seus objetivos de rotina. Na análise da situação, explica-se a posição da empresa com relação a seus concorrentes, e com o lançamento ou relançamento do produto em questão. É essencial começar a descrição da situação a partir de um nível macroeconômico, detalhando acerca do clima econômico, político e social do país. A partir daí, você descreve por que este contexto oferece uma oportunidade para a sua empresa. Indicar se a empresa está localizada em mercados estratégicos e áreas de interesse.

Quais são os objetivos de marketing?
Os objetivos precisam ser quantificados, monitorados permanentemente, e devem ser claramente correlacionados com um prazo específico. Um objetivo é algo que se quer alcançar em determinado período. Metas são partes de um objetivo, tanto em termos da tarefa em si quanto do prazo de realização.

Por exemplo; enquanto um objetivo pode ser atingir 20% de participação de mercado em 3 anos, as metas decorrentes podem ser: alcançar 5% de participação de mercado no final do primeiro ano, e alcançar 15% ao final do segundo ano.

São exemplos de objetivos de marketing: aumentar o volume financeiro de vendas, aumentar o percentual de participação de mercado, alavancar 20% de participação de mercado em 3 anos, aumentar 10% as vendas do produto (X) ao longo de três anos, aumentar o índice de lembrança da marca de 20% para 35% em 3 anos. O foco é sempre na participação de mercado, volume de vendas e lucro.

Parte 2: MARKETING ESTRATÉGICO 
Análise do consumidor;  Identifica-se o papel do consumidor, desejos e necessidades, hábitos de uso e os papéis de compra. O consumidor é uma organização ou pessoa física? Qual o seu perfil pessoal e psicológico? O que o consumidor mais gosta do produto? Por que o consumidor consome o produto? Como o consumidor compra? E quanto ele compra?

Análise de mercado;  Estudo do tamanho do mercado. Qual o tamanho do mercado em termos de volume físico de vendas?

Estágio da demanda: introdutório, crescente, maduro ou declinante.

Sazonalidade: em que épocas do ano as vendas são maiores? E qual a variação percentual de volume nos períodos de sazonalidade?

Segmentação de mercado: quais os segmentos existentes no mercado e que novo segmento se pretende criar, no caso de lançamento de produto inovador.

Análise de posicionamento do produto. É o modo como o consumidor percebe o produto, a informação que fica na mente das pessoas. A marca na mente de seu público-alvo. São os aspectos diferenciais com relação à concorrência; pode ser um produto bom, bonito e barato.

Aspectos Legais, quais os requisitos legais necessários para a comercialização, industrialização e fixação dos preços. O código de defesa do consumidor e os órgãos governamentais responsáveis.

Parte 3: Marketing Tático
Análise e formulação dos 4 P's - mix de marketing.

P= Produto. O ciclo de vida, marca, design, embalagem, rótulo, característica, qualidade, cores, garantia, formas de uso, desenvolvimento, pesquisa e inovação.
P= Ponto. Quais os canais de distribuição, a logística de mercado, localização, transporte, estoques e armazenagem.
P= Preço. Análise do preço com relação à concorrência, cálculo dos custos fixos e variáveis, margens de comercialização, descontos, condições de financiamento, estrutura de custos e pesquisas previstas.
P= Promoção. É a comunicação do produto para o mercado, por meio da propaganda, publicidade, promoção de vendas, relações públicas, merchandising, venda pessoal, eventos de lançamento, marketing direto, marketing digital, redes sociais, e endomarketing.

Parte 4: AÇÃO E CONTROLE - Resultados financeiros.
Elabora-se o relatório de projeções financeiras para os próximos 6 meses, 2 anos; demonstração de lucros e perdas e a análise do retorno sobre o investimento. Analisa também os pontos fortes e pontos fracos do ambiente interno da empresa, e as oportunidades e ameaças do ambiente externo.

Finaliza com um plano de ação, uma programação, ou seja; uma listagem de todas as ações principais com suas datas-limites e determinação dos responsáveis, a formação da equipe de pessoas.

Fonte: Administradores.com

Comentários
BUSCA RSS
Somente usuários registrados podem comentar!

Venda de ingressos para SWU 2011 começa a nesta segunda

Ingressos terão preços promocionais até dia 29 de agosto.
Valor por dia é de R$ 210; pacote para os três dias custa R$ 535,50.
Do G1, em São Paulo
imprimir
saiba mais
Confira a cobertura completa do SWU
Snoop Dogg, Black Eyed Peas, Peter Gabriel e Megadeth tocam no SWU
O primeiro lote de ingressos para o SWU 2011 começa a ser vendido nesta segunda-feira (11) com preços promocionais. Estarão disponíveis os ingressos Pista, para dias isolados, e Passaporte Pista, um pacote para os três dias. As entradas com desconto podem ser adquiridas até dia 29 de agosto, quando passarão a ser comercializadas a preços cheios. A segunda edição do evento acontece em Paulínia (SP), nos dias 12, 13 e 14 de novembro.
O preço promocional do ingresso de Pista é R$ 210 (R$ 105 meia entrada) e o preço promocional do Passaporte é R$ 535,50 (R$ 267,75 meia entrada), que representa a soma dos preços de três dias com 15% de desconto. Cada pessoa poderá comprar até 6 ingressos de valor inteiro por CPF.
Os ingressos podem ser comprados a partir de 0 hora do dia 11 pela internet, através do site www.ingressorapido.com.br. As vendas pelo call center (4003-1212) funcionarão de segunda a sábado, das 9h às 22h, e nos domingos e feriados das 11h às 22h. Os ingressos também podem ser adquiridos em 67 pontos de venda espalhados pelo Brasil (veja endereços).
Quem optar pela compra nos pontos de venda não pagará taxa de conveniência. Pela internet e call center, a taxa de conveniência será de 10%, metade do valor cobrado na edição do ano passado.
Os pontos de venda aceitam como forma de pagamento dinheiro, Cartões de Crédito (Visa, Mastercard, Diners, Amex, Hipercard, Aura), Cartões de Débito (Visa electron e Redeshop) e Cartão Benefício (Nutricash). O pagamento com cartões de crédito poderá ser parcelado em até 6x sem juros.
A venda de ingressos para camping e pacote vip será realizada a partir de agosto, em data a ser divulgada.
Meia entrada
Estudantes, aposentados, idosos (acima de 60 anos) e professores da rede pública estadual de ensino de São Paulo podem adquirir apenas um ingresso por CPF. No ato da compra, bem como na chegada do evento, é obrigatória a apresentação dos seguintes documentos:
Estudantes e alunos de pós-graduação: carteira de estudante, boleto bancário da faculdade atualizado; declaração escolar ou declaração de freqüência; documento de identidade com foto (cursos profissionalizantes, cursos técnicos e de idiomas não dão direito a compra de meia entrada).
Aposentados: comprovação da aposentadoria; documento de identidade com foto.
Idosos (acima de 60 anos): documento com foto que comprove a idade do cliente.
Professores da rede pública estadual: carteira funcional emitida pela Secretaria Estadual da Educação; holerite; documento com foto.
Nas compras de meia entrada via call center ou internet, o cliente deve informar os dados referentes aos documentos solicitados.
Serviço
1º lote – Preços promocionais:
Pista (preço por dia)
1º Lote: R$ 210,00 inteira / R$ 105,00 meia
Passaporte Pista (preço para 3 dias)
1º Lote: R$ 535,50 inteira / R$ 267,75 meia
 

Mudança de petróleo para biomassa impulsiona a química verde

Por Carolina Octaviano
10/07/2011

O termo “química verde” existe desde 1991 e foi cunhado por Paul Anastas, um químico da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, para designar a terceira onda da química, a qual a humanidade e indústria começariam a vivenciar. As outras duas primeiras ondas ocorreram nos séculos 19 e 20, respectivamente, quando a indústria se movia, primeiro pelo carvão, e depois pelo petróleo. Sem dúvida, um dos principais pontos positivos da química verde – que surgiu para amenizar os impactos ambientais que a própria química causava, além de melhorar a imagem de poluidora que essa ciência apresentava na sociedade – está na busca pela substituição do petróleo e derivados nos mais distintos processos químicos, e também na intensificação do uso de combustíveis renováveis, extraídos da biomassa, que são menos prejudiciais ao meio ambiente.

O principal representante de combustível renovável, no Brasil, é o etanol obtido a partir da cana-de-açúcar, que garante um lugar de destaque do país na área de química verde. Mas há outro uso relevante das matérias-primas renováveis, na produção de polímeros, principalmente o plástico. A Braskem, empresa que tem a Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras) como detentora de 49% das ações, começou a comercializar o primeiro “plástico verde”, em 2009, a partir de uma tecnologia que a Petrobras dispõe desde o final da década de 1970, e que passou a ser utilizada mais por questões econômicas do que ambientais. Isto porque o barril de petróleo estava custando cerca de 90 dólares, quando esse novo processo começou a ser implementado. A inovação desse produto está em conseguir eteno a partir do etanol da cana. Em termos químicos, o polietileno verde e o feito com nafta são idênticos. Entretanto, seus impactos são distintos. Enquanto o segundo emite gases poluidores e causadores do efeito estufa, o primeiro retira o gás carbônico da atmosfera. Quando se usa combustíveis fósseis, um insumo é retirado para a superfície da terra, utilizado e descartado na atmosfera. No caso da queima do etanol, parte do gás carbônico é reabsorvido no crescimento da cana. Ao utilizar o petróleo, cria-se um desequilíbrio ambiental, pois só há inserção de CO2 e não há processos equivalentes para retirá-lo da atmosfera.

Jairton Dupont, professor do Departamento de Química Orgânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), um dos 100 químicos mais influentes do mundo na última década, de acordo com a agência internacional Thomson Reuters, e vendedor do Prêmio Conrado Wessel 2010 na categoria Ciência, acredita que o Brasil não leva vantagem em termos de química verde, pois falta pessoal qualificado para trabalhar com ela, não somente em pesquisas, mas nas mais diversas áreas, que vão desde a agricultura até a engenharia e a química propriamente dita. “O Brasil tem algumas linhas de excelência em alguns institutos como a Embrapa e o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), por exemplo. Porém o número é muito reduzido de pessoas trabalhando e pesquisando isso”, afirma. A opinião de Dupont não é compartilhada por Jailson Bittencourt de Andrade, professor do Departamento de Química Geral e Inorgânica do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA), para quem o Brasil apresenta vantagens sim, está na dianteira e em destaque nesse setor. “O setor químico no mundo inteiro vive uma transição para a sustentabilidade, econômica e ambientalmente, e de saúde.

Embora a matriz energética mundial ainda seja muito baseada no petróleo e seus derivados, ela mostra uma tendência e um mercado crescente para bioenergia, energia obtida a partir de biomassa. De acordo com dados divulgados pelo Ministério das Minas e Energia (MME), em 2006, 87,1% da participação no consumo total de energia no mundo era oriunda dos combustíveis não renováveis, enquanto 12,9% correspondia aos combustíveis renováveis. Em 2008, no Brasil, 45,4% do consumo total de energia era renovável e 54,6% não renovável. “O etanol brasileiro feito da cana é a melhor bioenergia que existe, pois é bastante competitiva em escala mundial, custando somente 50 centavos por galão, e apresenta um rendimento energético muito bom”, explica Andrade.

Outro defensor do incentivo à química verde é Vicente Mazzarella, diretor técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), mas admite que haja gargalos importantes a serem superados. “A biomassa cria empregos, fixa o homem no campo e agrega valor ao produto final”, lembra. Mazzarela é um dos responsáveis pela pesquisa sobre o potencial energético do capim elefante, uma espécie de gramínea original da África, que tem como principais pontos positivos a alta produtividade e os ciclos curtos, apresentando tantas vantagens competitivas para gerar etanol quanto a cana-de-açúcar. Para ele, “a expectativa (em termos de bioenergia) é boa porque se apoia em sustentabilidade, mas o Brasil está atrasado porque os recursos são menores, estão dispersos e não obedecem a uma política ordenada. A União Europeia e os Estados Unidos estão na dianteira, pois têm mais recursos e os recursos são mais ordenados”. As universidades e os institutos de pesquisa têm procurado melhorar o rendimento dos processos de obtenção de álcool e do plantio de cana-de-açúcar, buscando variedades mais produtivas. Em termos de energia proveniente da cana, atualmente, aproveita-se cerca de 1/3 de toda a planta. Essa parcela é processada para obter açúcar ou álcool, e o bagaço da cana está começando a ser mais aproveitado.

Os principais entraves para o potencial bioenergético brasileiro

Na opinião de Andrade, além da utilização de combustíveis e matérias-primas renováveis, é preciso que a indústria migre para um sistema intenso de reuso e reciclagem. “Precisa também de uma mudança cultural, que se propague na população. Melhorias na educação, desde o ensino básico até o superior, são primordiais para que isso aconteça”, completa. Ele acrescenta que “o Brasil precisa de incentivos, isenção fiscal e políticas públicas para tornar os insumos renováveis atrativos. E tudo isso levando em consideração que o impacto da utilização de matéria-prima renovável é global, mas há necessidade de se pensar em soluções regionais para as questões que abrangem a biomassa. A soberania do Brasil depende do desenvolvimento de tecnologias novas e de ponta”. O pesquisador avalia que a mudança de discurso político no Brasil também seja um ponto negativo para implementar a substituição de insumos. Há alguns anos, o governo defendia a importância do uso e da produção de etanol para o desenvolvimento brasileiro, cujo principal expoente está nos carros flex, movidos a álcool e a gasolina. Hoje, acredita-se que a riqueza nacional esteja justamente no melhor modo de se extrair e aproveitar o petróleo presente na camada pré-sal. “Deve-se definir qual agenda será mantida, a do pré-sal ou a da bioenergia”, confirma.

Dupont também acredita que se não houver intervenção do Estado para regulamentar a mudança do petróleo para a biomassa, ela não ocorrerá. “O Brasil tem terras e tem tecnologias para o desenvolvimento de grãos. E isso passa a ser uma vantagem brasileira. Entretanto, o que não há é a transformação dessas commodities em produtos de maior valor agregado”, critica. Ele reitera que o principal ponto crítico está na baixa quantidade de pesquisadores capacitados no país e que a maioria deles está em instituições públicas, que muitas vezes se comportam como repartições, cujos processos são incompatíveis com as necessidades científicas, tecnológicas e de inovação. De acordo com ele, é preciso que ocorra uma mudança também no modo de se fazer e entender a CT&I, nacionalmente. “Há três entraves nessa questão: em primeiro lugar, está a quantidade baixa de pessoal capacitado para fazer ciência e trabalhar com tecnologia e inovação; em segundo, o regramento jurídico incompatível com a necessidade; e em terceiro, a vontade política para fazer uma mudança que traga a possibilidade se competir internacionalmente”, explica.

Mazzarela confirma que o principal entrave para a bioenergia está na questão tecnológica e que a biomassa é uma solução economicamente viável para suprir a demanda por energia renovável e limpa. “A solução vai variar de acordo com a região, o tipo de biomassa e a escala de produção”, diz. Para o pesquisador a substituição da energia não renovável pela renovável se dará em termos políticos, econômicos e tecnológicos: “Econômico porque você tem um contingente grande de pessoas que vivem em torno disso e se cria uma corrente social muito interessante, no contexto social e econômico. Tecnológico porque o Brasil tem uma certa vantagem e tem que investir nisso, tanto com a cana quanto com o capim elefante. E político porque isso interessa para o Brasil, policamente”. Na opinião dele, o Brasil tem que encontrar meios de prover melhorias genéticas, pois tem boas condições de solo e clima para aumentar sua produção de etanol.

Financiamento de pesquisas em química verde

Algumas propostas de financiamento acenam com um sinal positivo do governo federal em direção ao incentivo à economia verde. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), por exemplo, tem investido em pesquisas e inovação tecnológica voltada para a economia verde. Cerca de três bilhões de reais da carteira contratada da empresa são destinados para o tema, entre recursos reembolsáveis e não reembolsáveis, desde 2002, conforme mostra uma análise preliminar divulgada pelo órgão. As áreas de energias renováveis e biocombustíveis, mudança do uso do solo prioritariamente na agroindústria e tecnologias verdes correspondem a mais de 75% do total de financiamentos. Os projetos que têm como principal enfoque a redução de carbono representam R$1,674 bilhão e o valor total de recursos destinados a economia verde tem apresentado um crescimento anual de 20%.

O Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) também financia pesquisas voltadas para a química verde, biocombustíveis e bioenergia. O financiamento se dá a partir dos seguintes macrotemas: 36% agrícola, 19% novos produtos, 16% uso de produtos, 15% industrial de primeira geração e 14% industrial de segunda geração. Entre as iniciativas do Banco, em conjunto com a Finep, destaca-se o Plano Conjunto de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (PAISS), que contemplam três linhas diferenciadas de pesquisa: a primeira é voltada para o bioetanol de segunda geração, a segunda tem enfoque nos novos produtos de cana-de-açúcar e a terceira aborda as tecnologias, equipamentos, processos e catalisadores de gaseificação.

Fazer química verde não é apenas substituir nafta por etanol

Essa nova onda da química não envolve apenas substituir um insumo por outro, pois é, na verdade, uma mudança de paradigma científico, em que é preciso buscar procedimentos com menor impacto ambiental durante todo o processo de produção de bens e produtos. Em outros termos, a química verde é o princípio que deve ser utilizado durante os processos, que devem ser pensados sempre em termos ambientais. Sobre a utilização de energia, Dupont exemplifica: “Um desses princípios diz que é preciso minimizar o uso de energia e água durante os processos. Para fazer um pote de iogurte, eu utilizo dez vezes mais energia do que a bebida vai gerar depois, calorias”. Para que esses processos ocorram, atualmente, existem os doze mandamentos ou princípios da química verde, que devem ser seguidos, para minimizar impactos. São eles: 1) Em vez de limpar e tratar resíduos, evite sua formação; 2) Use reações que incorporem ao máximo o material de partida ao produto final, para evitar resíduos; 3) Prefira processos que minimizem o uso e a geração de substâncias tóxicas; 4) Crie moléculas que funcionem sem ser tóxicas; 5) Evite usar solventes; se não der, prefira os menos tóxicos; 6) Economize energia; prefira processos que funcionem a pressão e temperatura ambiente; 7) Use biomassa ou outra matéria-prima renovável sempre que possível; 8) Evite a formação de derivados nas reações, que sempre podem gerar resíduos; 9) Catalisadores aceleram processos e devem ser usados sempre que possível; 10) Desenhe moléculas que, uma vez exercida sua função, se degradem em produtos inócuos; 11) Monitore as substâncias nocivas que podem surgir num processo à medida que elas são formadas, e não ao final da fabricação de um lote de produto; 12) Escolha processos que minimizem o potencial de acidentes, como vazamentos e explosões.

Indústria química promete investir em inovação e aderir à onda verde

Por Carolina Ramos
10/07/2011

A indústria química quer se reinventar e reverter uma imagem mais associada aos riscos de seus produtos do que aos benefícios que eles representam para a sociedade. No imaginário social, poucos se lembram que as tintas que colorem as casas, os tubos de PVC usado nas construções ou as inúmeras aplicações do plástico em brinquedos, automóveis e eletroeletrônicos são resultantes de um processo que começa na indústria química de base. Suspeitas – e até mesmo comprovações – dos perigos da indústria química à saúde humana e ao meio ambiente já não são mais novidade há muito tempo. Pelo menos desde a década de 1960, com o início da preocupação relacionada à poluição industrial e aos acidentes nas fábricas, o sinal vermelho é aceso frequentemente para esse setor industrial. Um dos avisos mais recentes parte do relatório divulgado em junho deste ano pelo Departamento de Saúde dos Estados Unidos, listando a substância formaldeído, entre pelo menos outras oito, como causadora de câncer. O formaldeído, base do formol, é usado em produtos para alisamento de cabelos, esmaltes para unhas e perfumes, entre outros.

No Brasil, os cosméticos, assim como outros produtos – a exemplo dos defensivos agrícolas, químicos de uso industrial, petroquímicos e farmacêuticos –, formam o corpo dessa indústria gigante que, apesar de atualmente deficitária, é a quarta em importância na formação do PIB industrial brasileiro, segundo dados de 2008 da Pesquisa Anual Industrial do IBGE. Estima-se que, em 2010, esse setor industrial brasileiro tenha faturado US$ 130,2 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o que lhe garante a oitava posição no ranking das dez maiores do mundo, em termos de faturamento.

Um estudo encomendado pela Abiquim, o Pacto Nacional da Indústria Química, quer elevar ainda mais a posição do setor industrial brasileiro nesse ranking, colocando-o entre os cindo maiores do mundo. Esse objetivo seria alcançado como resultado do intento estratégico de tornar o Brasil superavitário em produtos químicos e líder em química verde. Para tanto, esse estudo prevê um conjunto de compromissos da indústria química com inovação, desenvolvimento econômico e social do país e com o estabelecimento de condições favoráveis para o potencial investimento de US$ 167 bilhões até 2020. “Para se ter uma ideia da magnitude desse desafio, números da Abiquim e do BNDES indicam investimentos confirmados em valor médio anual de US$ 4,1 bilhão no período 2010-2013, soma que dobra a média histórica da indústria”, diz o estudo “Desempenho recente da balança comercial e os limites ao crescimento da indústria química”, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), disponível no site da organização.

São somas altas, justificadas pelo alto desempenho dessa indústria, responsável por prover vários dos produtos utilizados não apenas em setores produtivos, mas também na vida cotidiana. É impossível desassociar o uso de seus produtos à funcionalidade do dia a dia, principalmente em centros urbanos, onde, aliás, está concentrada a maior parte da população brasileira. Desde a sala ao banheiro de uma casa, passando pela área de serviço, em cima de móveis ou dentro de armários, estão os produtos químicos ou aqueles que derivam dessa indústria e que facilitam o modo de vida da sociedade contemporânea. Embalagens alimentícias, produtos de limpeza e shampoos são alguns dos que fazem parte de uma lista quase infindável.

“A química está presente no nosso dia a dia em praticamente tudo o que fazemos e participa dos avanços realizados nos mais diferentes campos científicos, tecnológicos e industriais. Ela contribui para a busca de novas soluções para o cotidiano e para inovações sustentáveis”, opina Fátima Giovanna Coviello Ferreira, diretora de economia e estatística da Abiquim.

Embora a indústria química tenha trazido avanços inegáveis, sem os quais a sociedade atual não seria a mesma, esse mesmo progresso implica em riscos à saúde e ao meio ambiente. “Infelizmente, ainda grande parte das pessoas associa a indústria química aos riscos, já que muitos processos envolvem produtos inflamáveis e/ou explosivos”, diz Wagner Aparecido Contrera Lopes, gerente de fiscalização do Conselho Regional de Química – 4ª Região, cuja jurisdição abrange o estado de São Paulo, onde está a maior parte das empresas e dos profissionais da indústria química brasileira.

Tem fundamento a preocupação sobre os danos causados pelos produtos químicos por parte de diferentes representantes da sociedade, desde consumidores a ativistas ambientais e, inclusive, representantes de governos e de alguns empresários do setor industrial químico. Um exemplo é o desconhecimento sobre as substâncias químicas. De acordo com informações disponíveis no site da Organização Pan-Americana de Saúde, que atua como escritório regional da Organização Mundial da Saúde para as Américas e integra os sistemas da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Organização das Nações Unidas (ONU), existem atualmente cerca de dez milhões de substâncias químicas, das quais cerca de 100 mil são de uso difundido. Dessas últimas, apenas algumas centenas foram avaliadas plenamente quanto aos seus riscos para a saúde e ao meio ambiente.

Nesse cenário, a busca por uma atuação mais responsável por parte da indústria química, em termos de saúde, segurança, meio ambiente, qualidade e responsabilidade social, é objeto de um programa da Abiquim, como explica Fátima Ferreira, diretora da entidade. Adotado pela Abiqium em 1992, o programa Atuação Responsável foi inspirado no programa internacional Responsible Care, criado no Canadá pela Canadian Chemical Producers Association. De acordo com informações disponíveis no site da Abiquim, o Responsible Care fornece mecanismos que permitem o desenvolvimento de sistemas e metodologias para cada etapa da gestão da saúde, da segurança e do meio ambiente das empresas químicas e das cadeias produtivas ligadas a ela.

Até 1998, as empresas associadas à Abiquim participavam voluntariamente do programa Atuação Responsável. A partir daquele ano, a adesão passou a ser condição de filiação à entidade, que atualmente tem 133 indústrias associadas. Entre os 12 princípios diretivos mencionados pela diretora da Abiquim e que estabelecem a base ética do programa está o gerenciamento dos riscos inerentes às atividades e produtos da empresa, a partir da adoção das melhores práticas disponíveis a fim de eliminar acidentes e controlar os aspectos que possam impactar negativamente a sociedade e o meio ambiente. As empresas filiadas à Abiquim devem enviar anualmente os resultados dos seus indicadores de desempenho, medidos por uma avaliação realizada pela própria organização. Para auxiliar as empresas químicas associadas na auditoria de seus sistemas de gestão, a Abiquim faz uma verificação que é aplicada por 15 organismos de avaliação de conformidade – ou certificadores –, através de profissionais de empresas associadas e representantes de comunidades vizinhas às empresas químicas verificadas, todos treinados nos procedimentos do sistema. Em 2010, foram feitas 25 verificações em 18 empresas.

Pesquisa e inovação

Entre os compromissos estabelecidos pelo Pacto Nacional das Indústrias Químicas está o desenvolvimento de tecnologias, inovação de produtos e soluções avançadas. Como diz o estudo, a recuperação do déficit comercial do setor – de US$ 9,3 bilhões entre janeiro e maio deste ano, valor 28,4% superior ao do mesmo período de 2010 – requer uma estratégia agressiva de solução de debilidades aliada ao desenvolvimento de mercados hoje pouco familiares à indústria brasileira. “Não é por acaso que, em muitos países, as políticas de desenvolvimento e de apoio à exportação se tornem redutos para a promoção da inovação”, aponta o estudo.

Um dos benefícios do alcance desse objetivo seria, ainda de acordo com o estudo, a criação e desenvolvimento de tecnologia, com cultura de inovação e pesquisa. Para concretizá-lo, está previsto o investimento de US$ 32 bilhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação, o equivalente a cerca de 1,5% do faturamento líquido previsto para 2020. Parte desse investimento será executado em cooperação com instituições educacionais e de ciência e tecnologia.

Para Fátima Ferreira, diretora da Abiquim, a indústria química está colocada hoje frente aos grandes desafios da sustentabilidade, das matérias-primas renováveis e dos produtos e processos inovadores. “As empresas químicas são fortemente baseadas em conhecimento e tecnologia, mas as oportunidades e desafios são muitos mais amplos do que qualquer empresa pode enfrentar de modo isolado”, comenta. É por essa razão, de acordo com ela, que as empresas estão buscando cada vez mais colaborações, seja com outras empresas ou com instituições de ensino e pesquisa. “Os investimentos dependem de cada empresa, das suas áreas de negócios e das suas trajetórias, mas é possível dizer que todas estão cada vez mais conscientes do tema inovação e possuem algumas preocupações comuns, a exemplo da busca por sustentabilidade e fontes renováveis”.

Brasil discute segurança química

Nosso país ainda não possui uma política nacional com metas destinadas ao aperfeiçoamento da gestão de substâncias químicas. Mas aspectos da formulação dessa política já são discutidos no âmbito da Comissão Nacional de Segurança Química (Conasq), coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e integrada por instituições públicas, privadas, representantes da sociedade civil – entre elas, a própria Abiquim – e de universidades.

Uma das finalidades dessa comissão é discutir e debater temas relacionados à segurança química com vistas à formulação de programa nacional para essa área. Nesse campo, as pesquisas realizadas pelo setor acadêmico têm papel crucial nessa discussão. A Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Brasília (UnB) participam da Conasq levando informações sobre as pesquisas relacionadas ao assunto, contribuição que é qualificada por Sérgia Oliveira, diretora do Departamento de Qualidade Ambiental na Indústria do MMA, como fundamental para alimentar políticas futuras e envolver a área acadêmica na sua articulação.

O Programa Nacional de Segurança Química tem dez linhas prioritárias de ação, entre as quais estão mecanismos de controle e fiscalização na gestão de substâncias químicas e a implementação de pelo menos duas convenções internacionais: a de Roterdã, que regula o comércio internacional de produtos químicos perigosos; e a de Estocolmo, sobre poluentes orgânicos persistentes. Esta última tem o objetivo de eliminar globalmente a produção e o uso de algumas substâncias tóxicas produzidas pelo homem.

Ainda na busca pela minimização dos riscos das substâncias químicas, o Brasil aderiu à política internacional para a promoção da boa gestão dos produtos químicos. É o Strategic Approach to International Chemicals Management (em português, Abordagem Estratégia para a Gestão Internacional de Produtos Químicos), cuja meta é, até 2020, assegurar que os produtos químicos sejam produzidos e utilizados de forma que diminuam significativamente impactos adversos sobre o meio ambiente e a saúde humana.

Política internacional

Se o Brasil ainda busca traçar sua política relacionada às substâncias químicas, iniciativas de outros países nesse campo já existem há algum tempo, como é o caso do Reach, a legislação sobre substâncias químicas da União Europeia aprovada em 2006. A sigla significa Register (registro), Evaluation (avaliação), Authorization (autorização) e Chemicals (substâncias químicas). Trata-se de um regulamento aprovado pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da Comunidade Europeia para o controle de produtos químicos. Essa política foi elaborada a partir de princípios que consideram, por exemplo, a responsabilidade da indústria na geração e na disseminação da informação. Ela deve demonstrar que seus produtos e sua utilização são seguros antes de colocá-los no mercado e também assegurar que o consumidor tem o direito de conhecer as características e os efeitos dos produtos que adquire.

O Reach entrou em vigor em junho de 2007 e as substâncias químicas exportadas para a União Europeia ficaram, desde então, sujeitas a essa legislação. Em princípio, todas as substâncias químicas fabricadas nos países europeus ou importadas por eles em quantidades acima de uma tonelada estão sujeitas ao registro, devendo a indústria responsável pela fabricação ou importação fornecer dados sobre seus produtos aos clientes. Assim, substâncias consideradas de grande preocupação em relação aos seus efeitos para a saúde humana e o meio ambiente deverão ter seus usos autorizados para continuarem a serem comercializadas. Entre elas, estão as substâncias carcinogênicas (que provocam câncer), mutagênicas (que podem causar mutação nas células do organismo) ou que causem danos ao aparelho reprodutor.

Esse tema dos impactos à saúde humana e ao meio ambiente é tratado no capítulo 19 da Agenda 21, um programa de ações para o desenvolvimento sustentável neste século, adotado durante a Conferência Mundial das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, em 1992, a Eco-92. O texto incorpora propostas de ações que promovam a segurança química, conceituada no site da Organização Pan-Americana de Saúde como “a prevenção dos efeitos adversos, para o ser humano e o meio ambiente, decorrentes da produção, armazenagem, transporte, manuseio, uso e descarte de produtos químicos”. Quase duas décadas depois, o Brasil, que postula a liderança mundial no uso de energia renovável, não pode perder a oportunidade de regulamentar a segurança química no país, e a indústria brasileira do setor tem a chance de conferir se a prometida adesão à química verde não é mesmo o negócio do futuro.

Sustentabilidade na prática BlogIveco

Sustentabilidade na prática

Campo fértil para a sustentabilidade

Alinhada com os conceitos básicos de qualidade total, a fazenda Quinta da Estância Grande, em Viamão, mostra que é possível aliar a eficiência com a preservação ambiental

Por Pedro Pereira

Em meio ao 12º Congresso Internacional de Gestão, o Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP) tem realizado uma série de visitas técnicas a empresas que se destacam em diferentes dimensões dos métodos de qualidade. Nesta quarta-feira, a visita ocorreu em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre, local que abriga a Quinta da Estância Grande – uma fazenda que vem se destacando pela capacidade de aliar eficiência, inovação e sustentabilidade.

A cada ano, a Quinta da Estância grande recebe cerca de 70 mil visitantes. A maioria deles são alunos de instituições de ensino da região sul, de São Paulo, Distrito Federal e Uruguai. No local, é possível visualizar como eram fabricados diversos produtos da cultura gaúcha: a lã, da ovelha ao tear, e o charque – da carne fresca ao carreteiro. Mas o objetivo principal da família Goelzer, que controla a fazenda, é mostrar que é possível desenvolver um empreendimento sendo 100% sustentável. “Nossa gestão se baseia no tripé social, ambiental e econômico”, resume Rafael, o segundo dos três filhos de Sônia e Lucídio Goelzer. Juntamente com os pais e os outros dois irmãos, Rafael cuida de todos os projetos do empreendimento.

“É preciso mostrar que não são só as grandes empresas que podem desenvolver projetos de sustentabilidade. O que seria um problema acaba se tornando um benefício – e ainda agrega valor ao seu negócio”, afirma Rafael. A receita parece dar certo: em 2009, a empresa venceu o Prêmio Nacional MPE Brasil na categoria “Responsabilidade Social”, concorrendo com outras 57 mil empresas. Além disso, no ano passado, emplacou um crescimento de 31% nas vendas.

A intenção dos proprietários é semear a ideia de preservação da natureza. “As pessoas perguntam qual o nome dos bugios que estão aqui. Mas nós explicamos que eles não têm nome, já que não são nossos e não são domesticados. Quando quiserem ir embora, eles vão”, detalha Rafael. “Se cada pessoa que vier aprender uma coisinha que seja já estará ajudando na conservação do planeta”, entende Sônia.

Hidrelétricas poluem quatro vezes mais que o estimado, diz estudo

Os pesquisadores Salvador Pueyo e Philip M. Fearnside, do IC3 e do Inpa, respectivamente, garantem que as pesquisas anteriores sobre este tema subestimavam “quase 80% das emissões”.

  



Por site espanhol Águas.es, com tradução do blog Aldeia Comum

A emissão de gases que contribuem para o “efeito estufa” de hidrelétricas é quatro vezes maior do que se pensava, segundo um estudo do Instituto Catalão de Ciências do Clima (IC3) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), do Brasil. Este estudo põe em dúvida a reputação de “energia limpa”, que se ostentava para a energia hidrelétrica e indica que estas centrais produzem emissões de partículas de metano na atmosfera, um gás que contribui mais para o aquecimento global da Terra que o dióxido de carbono (CO2).

De acordo com o IC3, as condições ambientais que são criadas no entorno de reservatórios hidrelétricos, especialmente em climas tropicais, faz com que a matéria orgânica em decomposição não gere CO2, mas o gás metano, que contribui mais para o “efeito estufa” que dióxido de carbono. Os pesquisadores Salvador Pueyo e Philip M. Fearnside, do IC3 e do Inpa, respectivamente, garantem que as pesquisas anteriores sobre este tema subestimavam “quase 80% das emissões” e nota que essas centrais hidrelétricas são “fábricas de metano”, com um nível semelhante de emissões de centrais termoelétricas.

Este estudo aparece em um momento de grande controvérsia em vários países sul-americanos onde está se impulsionando a construção de hidrelétricas que ameaçam inundar grandes áreas da floresta amazônica e destruir o habitat de tribos indígenas. Um dos projetos mais polêmicos é a construção da usina de Belo Monte, na Amazônia brasileira, que deverá ser a terceira maior do mundo.

De acordo com Pueyo: “Este trabalho deixa sem base qualquer tentaiva de justificar a destruição das florestas e a invasão de terras indígenas para levar adiante uma suposta” energia limpa “para freiar as alterações climáticas”.

Aldeia Comum/EcoAgência

CE felicita Austrália por novo imposto sobre emissão de CO2

A comissária europeia para as alterações climáticas, Connie Hedegaard, felicitou hoje o Governo da Austrália por decidir aplicar a partir de 01 de julho de 2012 um imposto por tonelada de dióxido de carbono emitido.
«Felicito a Austrália pelo seu compromisso de colocar um preço na emissão de (dióxido de) carbono e introduzir um mecanismo de negociação de emissões a partir de julho de 2015», afirmou em comunicado.

A responsável afirma que na Europa este mecanismo, que permite a negociação no mercado de licenças de emissão de carbono, tem promovido a criação de novos modos, mais criativos e inovadores, de trabalhar pelas empresas, que permitem reduzir o nível de emissões e a redução de custos.

Diário Digital / Lusa
 

Força Tarefa busca nivelamento de estratégia brasileira no Combate às Mudanças Climáticas

Atualmente, o Idesam atua como apoio à coordenação dos Estados das ações do GCF no Brasil.

Manaus - Nesta sexta-feira (8/7), o Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas) realizou, em Manaus, a primeira reunião de 2011 dos estados brasileiros integrantes do GCF (Força Tarefa de Governadores para o Clima e Florestas). O encontrou reuniu representantes do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso e Pará a fim de discutir e nivelar os processos estaduais de regulamentação de programas e atividades de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal). Também participaram pesquisadores e profissionais de diversas organizações envolvidas nas discussões ambientais.

O GCF é uma iniciativa conjunta de Estados e Províncias dos EUA (Califórnia e Illinois), Brasil (Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Mato Grosso), Indonésia (Aceh, Papua, Kalimantan do Leste, Kalimantan do Oeste e Kalimantan Central), Nigéria (Cross River State) e México (Campeche e Chiapas), criada com o objetivo de implementar mecanismos de incentivo à redução de emissões do desmatamento e degradação florestal (REDD+) entre seus participantes. Atualmente, o Idesam atua como apoio à coordenação dos Estados das ações do GCF no Brasil.

O secretário executivo da Idesam, Mariano Cenamo, abriu a reunião apresentando as expectativas mundiais definidas durante a reunião da COP 16, realizada em dezembro de 2010 em Cancún. ?Nas COPs são definidos os caminhos a serem seguidos em todo o mundo. Na última reunião, o direcionamento dado foi a implementação de iniciativas de REDD+ em três fases distintas. O Brasil atualmente está na primeira fase desse processo, que é a preparação e aumento na governança florestal e a definição das estratégias que guiarão a implantação do Sistema de REDD+?, destacou Cenamo.

A reunião contou ainda com a presença do Senador Eduardo Braga e da deputada estadual Rebecca Garcia, propositores dos projetos de lei nº 212/2011 e º 195/2011, respectivamente. Ambos  visam à instituição do sistema nacional de REDD+ e estão em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. O Senador destacou a importância da discussão para o dia a dia de pessoas que moram dentro da floresta: ?Essas pessoas vivem na floresta e estão longe das decisões importantes para a melhoria das suas condições de vida. E o papel que o GCF vem desempenhando é esse, valorizando a floresta e fazendo com que o valor da floresta se transforme em ganho para aqueles que vivem na floresta e cuidam dela?, afirmou Braga.

Também marcaram presença na reunião a Secretária de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Amazonas, Nádia Cristina D?Ávila, o Secretário de Meio Ambiente do Amapá, Grayton Toledo e o Superintendente da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Virgílio Viana.

O que é REDD+?

A sigla quer dizer, literalmente, ?Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação florestal?. É um mecanismo de compensação financeira para os países em desenvolvimento ou para comunidades desses países, pela preservação de suas florestas. O REDD é visto como uma forma fundamental de redução da quantidade de CO2 (gás carbônico) lançada na atmosfera por conta do desmatamento em todo o mundo, o que potencializa o aquecimento global. Nos últimos anos, o REDD se tornou ponto central das negociações de um novo acordo sobre o clima. O Símbolo ?+? incluído a partir de 2009, traz consigo a ideia da conservação, manejo florestal sustentável e aumento dos estoques de carbono florestal.

Sobre o Idesam

O Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam) é uma organização não governamental sem fins lucrativos, fundada no ano de 2004. Os profissionais do Idesam atuam na coordenação e execução de projetos, pesquisas e estudos científicos voltados à conservação e o desenvolvimento sustentável para a região amazônica.

A produção científica é disponibilizada por meio de publicações técnicas, apresentações e participações em congressos e cursos como forma de estimular a discussão e o debate na busca de soluções criativas, originais e apropriadas aos problemas ambientais e sociais da Amazônia. Alia-se a isto, a promoção, a formação e a capacitação de recursos humanos nas áreas de atuação do Instituto.