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domingo, 21 de agosto de 2011

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Indústrias se mudam para Argentina, Uruguai e Paraguai para importar insumos e exportar produtos para o Brasil sem pagar tarifas


SÃO PAULO - Vários setores estão sofrendo com a concorrência de empresas que se instalam no Mercosul para utilizar brechas nas regras do bloco e pagar menos imposto. O objetivo é vender no Brasil, mas transferir parte da produção aos vizinhos garante vantagens que tornam o produto mais competitivo que o fabricado localmente.
Ao se estabelecer na Argentina, no Uruguai ou no Paraguai, empresas brasileiras e multinacionais obtêm benefícios como importar insumos sem pagar tarifa de importação e isenção de Imposto de Renda. Além disso, aproveitam a guerra fiscal no Brasil e trazem o produto por portos que cobram menos ICMS.
Como os países do Mercosul integram um mercado comum, os produtos circulam sem pagar impostos. Também há reclamações contra Chile, Bolívia e México, nações com as quais o Brasil mantém acordos que permitem a movimentação de mercadorias sem taxas aduaneiras.
Estado apurou que o esquema se repete nos setores químico, automotivo, têxtil, siderúrgico e máquinas. São máquinas da Argentina, carros do Uruguai, lençóis do Paraguai, chapas de aço do México. Um dos casos mais delicados em investigação pela Receita Federal é a importação de veículos montados no Uruguai pela chinesa Lifan.
O governo está investigando e punindo fraudes na origem do produto quando ocorre "maquiagem" - o valor agregado dentro do Mercosul é menor que o exigido. No entanto, se as empresas utilizam brechas do bloco, o Brasil fica de mãos atadas.
Brechas. Três brechas técnicas no Mercosul são as mais usadas: regras de origem, drawback e ex-tarifários. As regras de origem determinam se um produto pode ser considerado fabricado no Mercosul. Criadas em 1994, as regras variam conforme a mercadoria. Em geral, preveem um porcentual de valor agregado e/ou mudança na nomenclatura.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), tecidos da China, Paquistão e Índia recebem uma costura no Paraguai e se tornam lençóis, entrando no Brasil sem tarifa de importação. Na confecção, a regra de origem é "frouxa" e diz que basta o produto mudar de nome para ser "made in Mercosul".
De janeiro a julho, o País importou 250 toneladas de lençóis paraguaios, 63% mais que nos primeiros sete meses de 2010. Em lençóis de fios sintéticos (especialidade asiática), o volume saiu de zero para 120 toneladas. "Está na hora de uma profunda revisão nas regras de origem do Mercosul", diz Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Abit.
A segunda brecha é o drawback, que permite importar insumos sem tarifa desde que o produto final seja exportado. No Mercosul, o benefício vale mesmo que o destino seja outro país do bloco. Na União Europeia, só vale se o destino for extrazona.
Segundo uma empresa do setor químico, resinas termoplásticas estão sendo importadas sem pagar tarifa em regime de drawback no Uruguai e Paraguai. As resinas são processadas nesses países por empresas que gozam de isenção de IR e os produtos chegam ao Brasil por portos com incentivos fiscais.
A terceira brecha é falta de harmonização nas exceções à Tarifa Externa Comum (TEC). A Argentina possui mais de 600 concessões para importar insumos sem tarifa. É o caso do aço inox, que os fabricantes de máquinas trazem da Europa. "As máquinas pesadas argentinas, como reatores, já tomam o lugar das brasileiras ", diz Nelson Deoduque, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Redes sociais influenciam 44% das empresas brasileiras a desclassificar candidatos em processos seletivos, afirma pesquisa


nformações negativas ou fotos inadequadas no Facebook, Twitter e Orkut podem determinar a avaliação

Por Rafael Farias Teixeira
As redes sociais passam a exercer um papel decisivo também nos processos seletivos de empresas. É o que afirma a Pesquisa Internacional de Mercado de Trabalho realizada pela empresa de recrutamento Robert Half com 2.525 executivos das áreas de finanças e de recursos humanos de 10 países. Para 44% dos brasileiros entrevistados, aspectos negativos encontrados em redes como Facebook, Twitter e Orkut seriam suficientes para desclassificar um candidato no processo de seleção. “A principal preocupação dessas empresas é constatar que o perfil nesses meios é muito diferente do que foi descrito no currículo”, afirma Ricardo Bevilacqua, diretor da Robert Half para a América Latina. Apenas 17% afirmam não se deixar influenciar pelas redes sociais, enquanto os 39% restantes dizem que fariam uma entrevista antes de tomar a decisão final.

Os executivos brasileiros também afirmaram que utilizam a rede LinkedIn para verificar a veracidade das referências apresentadas nos currículos dos candidatos a uma vaga de emprego. 46% deles fazem isso sempre, enquanto 43% fazem essa verificação apenas com os candidatos que já foram entrevistados. Mas como discernir que aspectos da rede fazem parte apenas da vida pessoal da pessoa? “ Quem contrata sempre busca aspectos profissionais na hora de descartar o candidato; as questões pessoais são analisadas em outro nível, como, por exemplo, saber se o candidato faz algum tipo de trabalho voluntário, o que com certeza conta como um ponto positivo”, afirma Bevilacqua. “Os temas que mais causam desclassificação são relacionados a sexo e a qualquer tipo de discriminação.”

O que as empresas querem
Para Bevilacqua os processos de recrutamento no Brasil estão se tornando cada vez mais desenvolvidos, aproximando-se de padrões internacionais. “As empresas sabem que precisam ser mais assertivas nesse aspecto, porque os custos relacionados a uma contratação errada são muito altos”, explica.

Segundo a pesquisa, a primeira coisa que a maior parte (36%) das empresas brasileiras analisa em um currículo é a experiência profissional do candidato; 29% delas buscam as qualificações profissionais, que seriam adquiridas em trabalhos anteriores, e 13% conferem primeiro a formação do candidato.

Todas as empresas sabem que, para conseguir vantagem no processo seletivo, alguns concorrentes à vaga costumam exagerar no currículo. Para 48% dos entrevistados, o candidato faz isso nas responsabilidades que teve no seu trabalho anterior ou atual; 46% acreditam que isso ocorre nas habilidades em idiomas; 42% afirmam que eles exageram na hora de explicar os reais motivos para deixar seu trabalho anterior / atual. Nenhuma das empresas entrevistadas afirmou que acredita que os concorrentes não mentem em nenhum dos quesitos listados.

Franquias para trabalhar em casa


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Da redação

Fofoca e colegas desagradáveis são a principal razão para o estresse nas empresas brasileiras


Para as mulheres esse fator ganha um peso ainda mais forte em comparação aos homens

Por Rafael Farias Teixeira
Pesquisa feita pela empresa de recrutamento Robert Half com 2.525 executivos das áreas de finanças erecursos humanos de 10 países revelou que para 60% dos brasileiros consultados a fofoca e os colegas desagradáveis representam a principal razão para o estresse nas corporações do país. Esse fator tem peso ainda maior entre as mulheres, já que esta foi a escolha de 66% delas versus 49% dos homens. “Isso mostra que o bullying pode acontecer dentro do ambiente empresarial”, afirma Ricardo Bevilacqua, diretor da Robert Half para a América Latina.

Na média global, metade dos entrevistados aponta aumento da carga de trabalho como a principal origem do estresse no trabalho, lembrando que mais de uma opção pôde ser escolhida. Para 47% dos brasileiros este é o segundo fator a ser levado em consideração, seguido por pressões desnecessárias do chefe, com 44%. Um dado curioso é que o Brasil é o único país em que 100% dos entrevistados possuem estresse no trabalho. Aproximadamente um quinto dos participantes da Áustria, República Checa e Dubai, por exemplo, não têm estresse no ambiente corporativo.

Qualidade de vida e desenvolvimento pessoal
Mesmo com situações de estresse no ambiente de trabalho, 36% dos entrevistados do Brasil acreditam que a qualidade de vida é boa. No Brasil, quando somadas as alternativas “boa” e “balanceada” o resultado é de 92%.

Na média global, a qualidade de vida é o fator mais importante quando os profissionais avaliam uma possível mudança de emprego, no caso de ser necessário escolher entre duas propostas com mesma remuneração e pacote de benefícios. Essa foi a resposta de 37% das pessoas. O brasileiro diverge do resto do mundo nesse item. Aqui, a principal motivação para a transição de emprego é o desenvolvimento de carreira e maiores responsabilidades (34% ). Em seguida, aparecem qualidade de vida (32%), apoio à formação e aprendizagem (10%) e reputação/marca da empresa (10%).

Sozinho ou acompanhado?


Por Daniel Tavares
Sócio: ter ou não ter? Eis a questão. Essa pergunta, parodiada do "ser ou não ser" de Hamlet, personagem da peça homônima criada pelo dramaturgo William Shakespeare, certamente não tem a mesma profundidade da tragédia inglesa, mas é essencial para qualquer empresário. Uma sociedade adequada pode ajudar um empreendimento a dar certo. Já uma parceria errada pode trazer prejuízos e, muitas vezes, rompimentos de laços familiares e de amizade. "Em princípio, toda sociedade é benéfica", diz Álvaro Armond, professor dos programas corporativos do Ibmec São Paulo. "É sempre positivo poder dividir as tarefas do dia-a-dia, ter com quem discutir antes de tomar decisões, além de ser menos perigoso assumir riscos em conjunto."
Mas, antes de se fechar uma sociedade, metas em comum precisam ser definidas, as funções de cada um no empreendimento estabelecidas e os parceiros precisam saber de antemão como será dividida a empresa caso um dia resolvam se separar.
Naldeci de Araújo, da Limpadora e Conservadora NR, toca um negócio sozinho e está feliz assim. Para ele, sua experiência como sócio de uma empresa foi única e certamente a última. Sua empreitada aconteceu em 2003 em um negócio no mesmo ramo em que atua hoje, juntamente com um amigo de longa data.
Curto-circuito
Araújo vinha da área administrativa de uma construtora e o sócio tinha uma empresa de pintura. "Sempre pediam a ele indicações de empresas de limpeza, devido ao seu trabalho com pintura, e foi assim que tivemos a idéia. Pedi demissão do meu emprego e, com um pequeno investimento, metade do bolso de cada um, abrimos o negócio", conta Araújo.
SAIBA MAIS
Segundo o empresário, os problemas começaram a surgir logo no começo, quando o seu sócio dividiu a metade dele na empresa com mais três pessoas, todos gerentes do seu negócio de pintura. Araújo continuava majoritário na limpadora, mas passou a ter quatro sócios.
"Concordei com a divisão, pois não tínhamos assinado nada que o proibisse de fazer isso, mas ficou evidente que havia cabeças demais pensando ao mesmo tempo e que eu era o único com dedicação total a esse trabalho. Os outros continuaram na empresa de pintura e não ligavam muito para a limpadora. O máximo que faziam era conseguir alguns clientes", desabafa Araújo. Outro problema, segundo o empresário, era a demora para a tomada de decisões importantes, pois todos os sócios precisavam dar palpites e geralmente havia divergência de opiniões. O empresário suportou a situação por dois anos. Segundo ele, em função da amizade pelo sócio, que é também padrinho de seu filho.
Pela "cartilha" de Armond, do Ibmec, Araújo não seguiu lições básicas, como definir previamente como seria o dia-a-dia de trabalho. E não estabeleceu que o sócio só poderia vender sua parte para ele ou para alguém de sua confiança. "Além disso, é preciso ter especial atenção com amigos ou parentes, porque o risco de perder a empresa e de romper com o sócio é muito grande", alerta Armond.
Segundo o professor, se você escolher um sócio porque visualiza nele um bom parceiro de trabalho com características que vão ajudá-lo em um negócio, tudo bem. Mas se você escolher alguém só pelo afeto, tornar-se bem-sucedido nesse caso será mais complicado e poderá colocar a relação a perder.
"Acredito que, se fôssemos somente em dois, a chance de ter dado certo seria maior. Mas tendo mais quatro sócios ficou impossível. Fui até o meu limite. Colocava em todas as reuniões o que me deixava infeliz e nada mudava", conta Araújo, que abriu uma empresa sozinho dois meses depois de sair da sociedade.
Os cinco empresários concordaram em fechar a limpadora e ninguém ficou com o nome da empresa. A divisão de clientes também foi amigável. Quem havia trazido o contato, ficava com ele. Os ex-sócios de Araújo também abriram uma nova empresa no ramo e, de parceiros, tornaram-se concorrentes. A amizade de 15 anos acabou de vez.
A vantagem do vôo solo, como conta o empresário, é que todo o resultado do trabalho vai para ele mesmo. "Não sinto que estou fazendo nem mais nem menos que ninguém e, além disso, eu mesmo posso decidir o que é melhor para o meu empreendimento", conta. A única coisa negativa de estar sozinho, segundo ele, é o excesso de trabalho, pois, para comandar tudo, Araújo trabalha mais de 14 horas por dia.
O escritório agora fica no mesmo terreno de sua casa, para facilitar o gerenciamento dos negócios e reduzir custos. No faturamento, ele também se deu bem, pois declara atualmente receber o dobro do que ganhava com a limpadora anterior. Nesses dois anos, sua empresa já cresceu 70%, afirma. O número de funcionários pulou de quatro para 20. Além de limpeza pós-obra, serviço principal de sua empresa anterior, Araújo oferece trabalhos de pintura, pequenas reformas, conservação e limpeza diária de condomínios, empresas e mansões.
Encaixe perfeito

Com bom planejamento e sintonia, a sociedade, no entanto, pode dar certo. As arquitetas e sócias Daniella Martini e Adriana Weichsler, ambas com 34 anos, da Pro.a arquitetos, são prova de que uma parceria bem estruturada só traz benefícios. Para elas, a sociedade é uma soma em suas carreiras e trouxe mais clientes para o escritório.

A história das duas começou na faculdade, quando se tornaram amigas e perceberam que tinham química para trabalhar juntas. Nos projetos realizados a quatro mãos durante o curso, sempre se deram bem. Então, quando terminaram o ensino superior, há dez anos, abriram um escritório com mais três colegas de turma.

"Nessa época, cada sócio tinha autonomia para tocar seus próprios projetos, e, caso a obra fosse grande, dividíamos entre nós todos. O interessante é que a Adri e eu nunca pegávamos nada sozinhas; no mínimo, trabalhávamos nós duas", conta Daniella. Com o tempo, os outros sócios acabaram saindo, sem brigas, e as arquitetas seguem em dupla há cinco anos.

SAIBA MAIS
Uma das receitas para essa parceria dar certo, segundo elas, é que se completam profissionalmente. Adriana prefere a parte administrativa e o desenho de projetos. Daniella gosta mais de acompanhar as obras. Mas, na hora da criação, elas juntam forças. "Nenhuma de nós tem de fazer algo de que não gosta, por isso houve esse "encaixe" entre nós", explica Daniella.

A complementaridade é um dos pontos considerados fundamentais na escolha do parceiro, segundo Armond. Mas não é suficiente para indicar o sucesso de uma sociedade. O professor do Ibmec diz que também é importante ter objetivos parecidos em relação à empresa. "Muitas vezes, um empresário quer ter um negócio apenas para complementar sua renda. Se ele tiver um sócio que queira crescer e que veja no empreendimento sua principal fonte de faturamento, pode haver muito desentendimento entre eles", explica o especialista.



Acerto das pontas

Por sorte, Daniella e Adriana também se entendem nesta questão. "Todos os anos, pensamos juntas o que queremos para o ano seguinte, e dificilmente discordamos. Nossos projetos profissionais têm total sintonia" conta Adriana.
                                                                                                                                                                           É claro que há diferenças e divergências entre elas, mas em uma década, com muita conversa e disposição para tornar o escritório bem- sucedido, isso não chegou a influenciar negativamente. Daniella prefere chegar cedo e sair cedo do trabalho.

SAIBA MAIS
Adriana, ao contrário, chega tarde e sai tarde. Quando as duas têm de estar presentes a uma reunião, fazem de tudo para marcá-la em um horário intermediário. Adriana diz que também já se acostumou com o jeito bagunceiro e mais calmo da sócia. "Só porque sou mais organizada e rápida não posso impor isso a ela. E, às vezes, sem problema nenhum, me disponho a arrumar algumas pastas e até a mesa dela", brinca.

De um lado, uma sociedade bem- sucedida; de outro, um empresário solitário e feliz. Nenhum dos dois caminhos é garantia de sucesso ou de fracasso. Em ambos os casos, tomar cuidado é fundamental, afirma o professor do Ibmec. Como diz o ditado popular, "o que é combinado não sai caro". Ou "antes só do que mal acompanhado".


Dicas para uma união harmônica

Para se abrir uma empresa em sociedade é preciso de antemão:

*Saber quais os deveres e tarefas de cada sócio no dia-a-dia da empresa

*Verificar se os projetos e as expectativas com relação ao negócio são semelhantes

*Escolher um sócio baseando-se em primeiro lugar nas afinidades profissionais. Por isso, cuidado ao escolher um parente ou amigo só pelo fato de serem pessoas com quem você tem afinidades pessoais

*Determinar como serão divididos os lucros da empresa

*Investigar se o sócio já participou de outra sociedade e, se participou, descobrir por que não deu certo.

*Decidir como será a política de vendas de cotas (se o sócio poderá vender a sua parte na empresa e em que condições)

*Definir como ficará a empresa em caso de briga ou rompimento da sociedade

*Estabelecer como ficará a empresa em caso de morte de um dos sócios

*Tudo o que for decidido com relação a essa sociedade deve ser documentado e registrado

*Se você não conseguir encontrar um parceiro com objetivos empresariais parecidos com os seus, aí sim, talvez seja o caso de pensar em um vôo solo.

20 dicas para você vencer o medo de montar um negócio de sucesso


Se você tem vontade de ser um empreendedor, veja como é possível deixar a insegurança de lado e partir para essa jornada

Por Júlia Zullig
 Shutterstock
Atire a primeira pedra quem nunca teve vontade demontar um negócio. Seja numa situação de desemprego, seja pela vontade de ganhar autonomia, todo mundo já foi cutucado pelo desejo de se tornar o próprio patrão. Mas a grande questão é: quantos desistem de colocar o seu sonho em prática? A maioria dos "aspirantes" a empresários, com certeza, joga a toalha antes mesmo de dar o primeiro passo. A razão está no medo. As pessoas têm pavor de apostar seu capital na montagem de um negócio e acabar perdendo investimentos que muitas vezes demoraram anos para serem acumulados.

Marcos Hashimoto, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper, diz que o Brasil tem muitasoportunidades, mas os empreendedores não estão bem preparados para aproveitá-las. E acabam sucumbindo. Um exemplo é que cerca de 27% das micro e pequenas empresas paulistas fecham as portas no primeiro ano de existência. Além dos ventos muitas vezes desfavoráveis que afetam a economia brasileira, a razão para o fracasso está na falta de planejamento. Com os pés no chão, a chance de vencer a insegurança e ser bem-sucedido aumenta muito.

Os que alcançam o sucesso são aqueles que corretamente identificam as oportunidades e tiram bom proveito delas. E que não se intimidam. "Acima de tudo, é importante ter perseverança, determinação e não se deixar levar pelas circunstâncias agressivas, que muitas vezes ameaçam a construção de um negócio. É fundamental levantar-se rapidamente das quedas", afirma Hashimoto.
SAIBA MAIS
Apesar de todos os empecilhos, o número de pessoas que se aventuram em busca de seus ideais é grande no Brasil. Não é à toa que o país está sempre em lugar de destaque quando se fala em empreendedorismo. Paulo Veras, ex-diretor geral do Instituto Endeavor, diz que o perfil do brasileiro é marcado por ousadia. "O brasileiro se sente mais confortável em lidar com o risco do que outros povos".

O medo que envolve montar um negócio estará sempre presente. Ele é até saudável, desde que não imobilize. O livro Como Fazer uma Empresa Dar Certo em um País Incerto, editado pelo Instituto Endeavor, descreve a importância do medo: "(...) O medo de não dar certo é absolutamente essencial, pois serve para que o empreendedor conheça seus limites e calcule o tamanho de seus riscos".

Se você se inclui no universo de candidatos a empreendedores que têm vontade de montar um negócio, mas estão tomados pelo medo dos riscos e incertezas, juntamos 20 dicas (que podem ser lidas nas próximas páginas desta reportagem), dadas por especialistas em empreendedorismo, para ajudá-lo a criar coragem para ir em frente e construir uma história de sucesso. Dê seu primeiro passo e boa sorte!

O verdadeiro caminho do sucesso


Rico, sem patrão e com tempo de sobra. Ao contrário do que se imagina, a vida de empreendedor tem muito mais facetas do que sugere esse bordão

Por Eduardo Nunomura e Wilson Gotardello Filho
Filipe Borin

Empreendedores lendários - e solitários -, que fugiram dos bancos escolares e construíram fortunas com pouco ou nenhum capital, contando apenas com suas próprias ideias brilhantes e a coragem de pôr todas as fichas em um negócio incerto. É essa a imagem que vem à cabeça da maioria quando se pensa em homens bem-sucedidos, como Steve Jobs, da Apple, Bill Gates, da Microsoft, ou Samuel Klein, das Casas Bahia. No Brasil, assim como nos Estados Unidos, a representação do self-made man é tão forte que praticamente nos furtamos a observar de perto a história de cada um. Sob os holofotes, contudo, o que se vê são versões bem menos glamourosas, como bem mostrou um recente estudo da dupla de pesquisadores franceses Michel Villette e Catherine Vuillermot (leia a entrevista exclusiva aqui), que resultou no livro From Predators to Icons. As conclusões da obra também serviram como matéria-prima para um brilhante artigo do escritor Malcolm Gladwell (autor dos best-sellers Fora de Série: Outliers e Blink), publicado na revista New Yorker e, agora, em primeira mão no Brasil, por Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
SAIBA MAIS
Embora seja visto como um Leonardo da Vinci moderno, Steve Jobs construiu uma das empresas mais inovadoras de todos os tempos contando com uma poderosa rede de relacionamentos, da qual fazia parte o seu grande amigo Steve Wozniak. A maioria das inovações da Apple foi feita em parceria com várias outras empresas. Muito mais que um geninho dos computadores, Bill Gates sempre se considerou um ótimo negociador. O homem que conseguiu se tornar um dos mais ricos do mundo é neto de banqueiro e contou com a ajuda do sócio Paul Allen para realizar suas façanhas. O polonês Samuel Klein, rei do varejo brasileiro, ao chegar ao Brasil acionou seus contatos para adquirir uma valiosa carteira de 200 clientes de um mascate judeu que estava prestes a se aposentar. O autor do livro The Illusions of Entrepreneurship, Scott Shane, defende a ideia de que apegar-se ao senso comum é o caminho mais curto para o fracasso. "Quando as pessoas agem baseadas em histórias com toques fictícios, pensando que se trata da mais pura realidade, acabam se dando mal."
Ricardo Labastier
"Queria dar aulas. Mas o negócio foi tão bem que não me imagino fazendo outra coisa"
THAIS MELO E GUILLAUME PETITGAS, LA BOULANGERIE A estudante de letras e o padeiro francês resolveram voltar a morar no Brasil após uma temporada na Europa. Sem emprego, a saída foi abrir o próprio negócio. Os dois driblaram a inexperiência com cursos. Em três anos, o casal abriu uma segunda loja e, hoje, recebe mais de 300 pessoas por dia
Muitos empreendedores começam subcapitalizados, mas raros são os que, nessa situação, obtêm sucesso - quando isso ocorre, viram objeto de estudo acadêmico e capas de revista, ajudando a criar a ideia equivocada de que bons negócios sempre nascem em garagens. Pesquisas mostram que ter dinheiro para o investimento inicial facilita enormemente o caminho, argumenta Shane. Também são distorcidas pelo menos outras sete imagens do empreendedorismo: empreendedor nasce empreendedor (o que determina o sucesso não é a genética, e sim o ambiente e o esforço individual); não é preciso educação nem experiência para montar um negócio (empresários sem bagagem são os que mais dão errado); o empreendedor age sozinho (mas quanto melhor a rede de contatos, maiores as chances de sucesso); empreender é arriscar (quem vai longe sabe da importância de calcular e minimizar riscos); empreender é ficar livre (na realidade, trabalha-se muitas vezes mais e é preciso dar satisfação a fornecedores, funcionários, clientes...); é preciso uma ideia genial para abrir uma empresa (a maioria dos negócios é trivial); todo empreendedor é rico (normalmente, o retorno sobre o investimento inicial demora a acontecer).
Marcelo Corrêa
"Só cheguei aonde estou por conta da experiência acumulada durante vários anos"
MARCELO ROCHA, DA F2C O ex-funcionário da Oracle se juntou a outros quatro colegas e fundou a F2C, especializada em softwares complementares aos da gigante americana. Cada um dos sócios conhece bem uma área: banco de dados, desenvolvimentos, finanças, suprimento e comercial. Neste ano, a F2C deve faturar R$ 30 milhões, ante R$ 19 milhões de 2009
Acreditar que o empreendedor é um sujeito brilhante, que consegue fazer fortuna sem esforço, apenas mantém seres humanos comuns distantes do sucesso: eles se intimidam com a figura do super-herói e desistem de empreender ou então o fazem sem planejar - e, como não existem capas voadoras e superpoderes, acabam tombando. Aqueles que vêm se dando bem em seus empreendimentos não se deixam iludir. A empresária Thais Melo, de 29 anos, dona da La Boulangerie, por exemplo, nunca havia cogitado ser mulher de negócios, até o dia em que viu que seria muito difícil para o marido francês, Guillaume Petitgas, 28 anos, conseguir um posto de trabalho no Brasil. "Eu sempre me imaginei lecionando, e não vendendo pães, mas o nosso negócio deu tão certo que, hoje, não penso em fazer outra coisa", diz. Cursos de gestão, marketing, empreendedorismo e a ajuda de parentes e amigos supriram a sua suposta falta de talento nato para os negócios.
Três anos após a decisão de empreender, Thais e Petitgas têm duas badaladas padarias em Brasília, contam com 56 funcionários e atendem 300 consumidores diariamente, cada um gastando em média R$ 18. Empreendedor nasce empreendedor? "Não há nenhum estudo que comprove essa tese", diz Shane. Algumas características são comuns aos donos de negócios, mas elas podem ser adquiridas. "Nunca vi nenhuma evidência de que exista um DNA empreendedor", afirma Jacques Marcovitch, professor da USP e autor de uma trilogia de livros que destrincha a história dos empresários pioneiros no Brasil (como Leon Feffer e Valentim Diniz, fundadores, respectivamente, dos grupos Suzano e Pão de Açúcar). "O ambiente é essencial. O que eu percebi nos casos em que estudei é que eles forjaram sua personalidade empreendedora ao enfrentar adversidades."
Omar Paixão
"Meu ex-sócio entrou com o capital necessário e me ensinou todos os segredos"
MARCELO PONZONI, DA RAE, MP Fundou a agência publicitária aos 22 anos, com US$ 22.500 emprestados por um amigo de sua mãe, que também cedeu uma sala para a empresa. Hoje, instalado em uma sede de 700 metros quadrados, administra 30 contas. Faturou R$ 6,5 milhões no ano passado
Naqueles tempos, eram comuns histórias de imigrantes que faziam fortuna ao desbravar novas terras. Gente sem dinheiro ou educação. Hoje, essas histórias são exceções. "Esses mitos estão bastante desatualizados", diz Shane. Não que seja impossível montar um negócio sem dinheiro, escolaridade ou experiência. Mas o caminho quase sempre é mais árduo e arriscado. Levantamento do Sebrae na Junta Comercial do Estado de São Paulo, entre 2000 e 2005, revela que os donos de empresas que quebraram ou decidiram fechar as portas têm menos repertório do que aqueles que permanecem no mercado. Por exemplo, planejaram a abertura do negócio por quatro meses, em média, enquanto aqueles que ainda estavam à frente dos empreendimentos se prepararam por 14,1 meses. Entre os que não deram certo, também, 46% tinham experiência na área em que abriram negócio e 34% haviam realizado cursos de gestão - enquanto, nos negócios duradouros, 64% conheciam o setor e 41% fizeram aulas específicas de administração. Formado em computação pela Universidade Federal Fluminense, Marcelo Rocha, 44 anos, passou oito anos trabalhando com um programa da americana Oracle, cinco na própria multinacional, antes de montar com dois colegas a empresa de softwares F2C, do Rio de Janeiro. "Percebemos que existia um mercado não explorado de funcionalidades complementares ao software da empresa." Primeiro, resolveram oferecer o serviço pela internet, sem deixar o emprego. Em 2004, quando conquistaram o primeiro grande cliente, a fabricante de lentes Essilor, pediram demissão e convidaram outros dois ex-funcionários para ser sócios. Cada um deles é especializado em uma área específica do software - banco de dados, desenvolvimento, finanças, suprimentos e comercial. O faturamento da F2C, que foi de R$ 500 mil no primeiro ano, alcançou R$ 4 milhões em 2007, R$ 8,5 milhões em 2008, R$ 19 milhões em 2009, e, neste ano, a previsão é de R$ 30 milhões.
SAIBA MAIS
Calcular a reserva financeira necessária para sustentar o negócio nos primeiros anos também é providencial. Mas nem sempre o investimento precisa vir do bolso do próprio empreendedor. "A família e os amigos costumam ter papel fundamental no financiamento", diz Afonso Cozzi, professor de empreendedorismo da Fundação Dom Cabral. O empresário Marcelo Ponzoni, 44 anos, apoiou-se em um amigo de sua mãe para abrir a agência de publicidade RAE, MP. Ronaldo Arthur Esperança, dono de uma revenda de carros em São Paulo, entrou com os US$ 22.500 necessários e virou sócio de Ponzoni quando este era um jovem de 22 anos e ainda cursava a faculdade de publicidade em Mogi das Cruzes. A revenda de Esperança e de outros conhecidos do empresário foram os primeiros clientes da nova agência. "Além do apoio financeiro, o Ronaldo me ensinou muito", diz Ponzoni, que hoje atende a 30 contas, a maioria de concessionárias, shopping centers e indústrias, e fatura R$ 6,5 milhões ao ano. Depois de dois anos e meio, Ponzoni adquiriu os 50% da sociedade de Esperança. Logo depois, o ex-sócio morreu. Ponzoni afirma que faz questão de passar ao filho de 13 anos, batizado de Ronaldo Arthur, as lições aprendidas com o amigo. "Ele me fez acreditar que era possível", diz.
"Eu só tive coragem de abrir a empresa porque tenho amigos experts no assunto "
FABIO SIDNEY ANTÔNIO, DA FDM CONSULTING Admite que não teria feito nada, não fosse sua valiosa rede de relacionamentos. Ao longo da sua carreira, de onde partiu como vendedor até chegar a diretor comercial, ele cultivou contatos que, mais tarde, se tornaram seus clientes, fornecedores e funcionários
As histórias de Ponzoni e de Rocha remetem a outro dos vários mitos que rondam o empreendedorismo: a ideia de que o empreendedor faz tudo por sua própria conta e risco, sem contar com a ajuda de ninguém. "O bom empreendedor analisa as características que tem e as que não tem, mas são necessárias, e se cerca de pessoas que o complementam", afirma Marcelo Salim, coordenador do centro de empreendedorismo do Ibmec-RJ. Reportagem publicada na prestigiada revista The Economist chegou à conclusão de que o "empreendedorismo é uma atividade social", ou seja, empreendedores quase sempre precisam de redes de contatos muito bem estruturadas para se dar bem. O que realmente impulsionou os negócios de Fabio Sidney Antônio, 38 anos, dono da FDM Consulting, foram os seus relacionamentos. Por cinco anos ele trabalhou de vendedor, até chegar ao cargo de diretor comercial no setor de telefonia e internet. Durante esse período, construiu contatos que se tornaram decisivos quando ele abriu o seu próprio negócio, em 2005. "Meus amigos, fornecedores e clientes da época me ligaram para trabalhar comigo." Hoje, sua empresa de soluções de infraestrutura de rede fatura R$ 9 milhões e tem cerca de cem clientes, como Lojas Marisa e Magazine Luiza. "Um novo negócio nasce de um sonho. Daí se criou o mito de que o empreendedor age sozinho", afirma Enio Pinto, gerente nacional de atendimento do Sebrae. "Empreender é o ato de sonhar e realizar. O sonho é individual, mas quem não sabe se relacionar com os outros não realiza nada."
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Com a influência crescente dos empreendedores de tecnologia, muita gente pensa que esse sonho de negócio precisa ser uma ideia sensacional. E fica esperando a vida inteira pelo lampejo. O último estudo do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), a fonte mais completa sobre a realidade dos empreendedores, mostra que mais de 80% das empresas brasileiras não oferecem produtos novos ao mercado. "O empreendedor precisa de uma oportunidade, antes mesmo de ter uma grande ideia", diz Tales Andreassi, coordenador do Centro de Empreendedorismo da Fundação Getulio Vargas. "Um grande invento pode facilitar o sucesso de um negócio, mas há fatores mais importantes para iniciar um empreendimento", acrescenta Simara Greco, do Instituto de Qualidade e Produtividade, responsável pelo relatório GEM do Brasil. Segundo a reportagem da The Economist, a inovação costuma se dar em processos e não em produtos. Felício Borzani Neto, 50 anos, encontrou a sua oportunidade quando sua mulher, Suzana, voltou de uma viagem aos Estados Unidos maravilhada com um negócio que nunca tinha visto no Brasil. Era uma loja que personalizava bichos de pelúcia com roupas escolhidas pelas crianças. O casal descobriu que o produto já havia sido implantado no Brasil, mas fracassara, e o ex-dono estava vendendo o equipamento e todo o estoque. Os Borzani contrataram uma agência de publicidade e se esforçaram para criar quiosques chamativos. A experiência de Borzani Neto em um emprego na área de vendas foi essencial. A Happy Town, inaugurada em 2005, fatura hoje R$ 12 milhões ao ano e tem 30 lojas. "Um projeto com começo, meio e fim, bem planejado, tem mais chance de vingar", diz o empreendedor. Para vender mais, a empresa depois aumentou as possiblidades de personalização dos brinquedos, permitindo a escolha de vozes e perfumes. Inovações como essas exigem capital, e, por isso, costumam acontecer em um momento de maior maturidade do negócio.
Omar Paixão
"Sempre soube que não bastava ter um ótimo produto na mão se não soubesse vendê-lo"
FELICIO BORZANI NETO, DA HAPPY TOWN Era vendedor antes de se tornar empresário. Percebeu a oportunidade de relançar uma marca dos Estados Unidos no Brasil e investiu na imagem do negócio. Hoje, a empresa, sediada em São Paulo, tem 30 lojas no Brasil e fatura R$ 12 milhões por ano
Antes de montar a Happy Town, Borzani Neto tivera outros negócios - uma loja de roupas multimarcas e oito franquias de empresas diferentes, tocadas ao mesmo tempo. Todas faliram. "Nós, empresários, temos o costume de usar a intuição para fazer negócios, achamos que podemos tudo e nunca vamos errar", diz. "Percebi que tinha de ir com mais cautela." Correr muitos riscos não é uma característica inevitável do empreendedorismo. Ao contrário. Crucial para o sucesso é saber administrá-los. O ex-trader em títulos da dívida externa Daniel Heise, 37 anos, é um especialista em gerenciar riscos. Em 1999, no auge da bolha das pontocom, ele deixou o emprego no banco Matrix, e, com dois sócios, criou uma empresa de projetos para a internet. Investiu em 12 negócios de tecnologia. O que poderia parecer uma jogada arriscada era um negócio milimetricamente calculado por Heise. "Imaginava que, dos 12 projetos, dois seriam um sucesso e dois um grande fracasso. Os outros oito dariam pouco lucro ou um prejuízo mínimo", diz. Foi o que aconteceu. Em pouco tempo, Heise e os sócios identificaram os dois melhores negócios: a Customer First, que desenvolvia softwares para atendimento ao cliente, e a Atrativa, de jogos on-line. Os projetos restantes foram descontinuados.
Em 2006, a Atrativa foi vendida e se transformou na empresa norte-americana Playphone - na qual Heise mantém participação acionária. A Customer First veio a ser o grupo Direct, com cinco empresas nas áreas de tecnologia e mar-keting, que captou investidores como a Rio Bravo. Heise acredita que o mais difícil nos negócios é fazer a relação correta entre risco e retorno. "Um investimento de R$ 100 que pode render R$ 1 mil vale a pena, por exemplo. Mas assumir o risco de perder R$ 100 para ganhar R$ 100 não é aconselhável", diz Heise. "Não aposte em um negócio que pode pôr tudo a perder. O empreendedor não pode nunca se colocar em uma situação que pode tirá-lo do jogo." Para que isso não aconteça, Heise sempre determina a perda máxima em cada projeto, exatamente como fazem (ou tentam fazer) os operadores do mercado financeiro. "Se ultrapassar, abandonamos o projeto imediatamente."
Omar Paixão
"Um empreendedor nunca deve se colocar em uma situação que o retire do jogo "
DANIEL HEISE, DO GRUPO DIRECT Sabe calcular milimetricamente os riscos antes, durante e depois de lançar um negócio. Quando iniciou sua carreira de empreendedor, criou 12 projetos distintos. Ele estava ciente de que apenas dois dariam certo e rapidamente encerrou os restantes. Hoje, comanda um grupo que concentra cinco empresas de marketing e tecnologia. Em 2009, cresceu 15%

Omar Paixão
"Antes de começar, achava que empresário não devia satisfação a ninguém"
ROBERTO SARETTA, DA 2CALL Acreditava que a vida de empreendedor seria bem mais fácil, com horas livres e pouca pressão. Ledo engano. Sócio de três empresas na área de tecnologia e de uma rede de lavagem a seco, ele trabalha mais de 12 horas por dia, além de administrar 73 franqueados
Dinheiro não vem fácil. Uma concepção, falsa, muito difundida no Brasil é que empreender significa ter mais tempo livre e não ter que dar satisfação a ninguém. E ficar rico rapidamente. "Os empreendedores são empregados do pior patrão do mundo: eles mesmos", diz Marcelo Salim, do Ibmec do Rio de Janeiro. Nos últimos nove anos, Roberto Saretta, 28 anos, investiu em sete empresas. Entre erros e acertos, sobrou uma certeza: a rotina de empreendedor é bem diferente daquela que ele imaginava na época em que cursava administração. A ideia de ser dono do próprio tempo e não precisar responder ao chefe deu lugar a mais de 12 horas de trabalho diárias e compromissos com quatro sócios, 220 funcionários e 73 franqueados. Hoje, Saretta tem participação em quatro empresas: as redes de franquias Acquazero (de lavagem a seco), 2Call (de bluetooth marketing) e Mob2Go (aplicativos de celular), e uma loja da TIM. "Já entrei em uma reunião às 10 horas da manhã e saí às 2 horas do dia seguinte, sem resolver todos os assuntos", diz.
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O esforço é grande e, na maioria dos casos, demora a dar resultado. O último estudo do GEM indica que 34% dos novos empreendedores acreditam que apenas depois de dez anos obterão um retorno de 20 vezes o valor investido. "Dou aula para filhos de empreendedores e eles me contam que seus pais não querem que empreendam para não sofrer o que sofreram ", afirma Marcos Hashimoto, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper. O paulistano Daniel Barros, 35 anos, encontrou um caminho bem mais acidentado do que imaginava quando largou a advocacia e virou empresário. Abdicou de um salário de R$ 25 mil em um conceituado escritório internacional e do hobby de colecionar gravatas Hermès e relógios de grife para montar, em 2004, uma fábrica de embalagens plásticas. A Contene vai bem: fatura, por ano, R$ 12 milhões, devido à acertada estratégia de fazer produtos arrojados para a classe C. Mas Barros e o sócio, Joaquim Matias de Oliveira, mal veem o dinheiro entrar no caixa. Ainda há contas a pagar, sobretudo a dos financiamentos de maquinários. A meta é que o retorno do investimento só aconteça em 2017. Barros ficou mais de três anos sem receber rendimentos. Vendeu o carro, refinanciou a casa e viu sua poupança ser reduzida a zero. "Continuamos investindo muito para encontrar o ponto de equilíbrio", diz o ex-advogado.
Omar Paixão
"Eu ganhava R$ 25 mil. Vai demorar bastante até eu recuperar o meu padrão de vida "
DANIEL BARROS, DA CONTENE Surpreendeu-se quando descobriu que o retorno do seu investimento de R$ 10 milhões em uma fábrica de embalagens demoraria mais de dez anos. Para bancar o sonho de empreender, vendeu o carro, refinanciou a casa e viu sua poupança ser reduzida a zero
O ato de empreender tem muito mais nuances do que mostram as fachadas míticas. Em geral, os mitos se cruzam. Um empresário que começa do zero, por exemplo, provavelmente vai precisar de mais bagagem e educação do que outro, que inicia seu negócio mais capitalizado. O importante é não deixar que conceitos cristalizados inibam ou prejudiquem novas iniciativas. Para os pesquisadores do tema, o que parece importar de verdade, para dar certo, é perseguir o sonho com afinco. "Noto que os verdadeiros empreendedores vivem um eclipse pessoal e profissional. A empresa faz parte da vida deles", diz Karen Kanaan, diretora de cultura empreendedora do Instituto Endeavor. Marcelo Aidar, professor de empreendedorismo e novos negócios da FGV, relata sua experiência de dez anos estudando o assunto: "Se você for um sonhador e um realizador, trabalhar com risco calculado e não tiver vergonha do sucesso, vai ter muito mais chances de se tornar um grande empreendedor do que se ficar apegado a modelos na maioria das vezes distantes da realidade"

Mito 1 >>> EMPREENDEDOR NASCE EMPREENDEDOR
Mais que a genética, é o ambiente que determina o sucesso
Filipe Borin
AMADOR AGUIAR | BRADESCO
Foi lavrador, tipógrafo e começou como contínuo do Banco Noroeste, em Birigui. Ficou nesse emprego por 18 anos, até 1942, e então foi trabalhar no Bradesco. Virou acionista majoritário e presidente do banco apenas em 1963
Filipe Borin
JOSÉ MINDLIN | METAL LEVE
Começou como jornalista e foi advogado (formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco) antes de fundar uma fábrica de pistões e bronzinas
Filipe Borin
JAYME GARFINKEL | PORTO SEGURO
Começou como assistente na seguradora pertencente à família aos 22 anos. Assumiu diversas funções internas e, aos 32 anos, quando seu pai morreu, herdou o negócio e teve que desenvolver seu talento empreendedor

Mito 2 >>> NÃO É PRECISO EDUCAÇÃO NEM EXPERIÊNCIA
Essa é uma idéia ultrapassada. Quem conhece o que faz vai longe
Filipe Borin
NORBERTO ODEBRECHT | ODEBRECHT
Estudou na Politécnica de Salvador. Quando adolescente, trabalhou na empresa do pai como pedreiro, serralheiro, armador, chefe de almoxarifado e responsável pelo transporte, até dominar todas as etapas de uma obra

Filipe Borin
CHIEKO AOKI | REDE BLUE TREE
Estudou direito na Universidade de São Paulo e administração na Universidade Internacional de Sofia, no Japão. Antes de entrar no ramo de hotelaria, foi à Inglaterra para fazer cursos de especialização na Universidade de Cornell
Filipe Borin
RUBENS OMETTO | COSAN
Cursou engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, trabalhou como assessor da presidência do Unibanco e foi diretor-financeiro do grupo Votorantim aos 24 anos

Mito 3 >>> DÁ PARA COMEÇAR DO ZERO
Com dinheiro no início, o caminho é menos árduo e arriscado
Filipe Borin
JOSÉ ERMÍRIO DE MORAES | VOTORANTIM
Filho de ricos fazendeiros, estudou na Colorado School of Mine, nos Estados Unidos, e transformou a empresa fundada por seu sogro, Antonio Pereira Ignácio, em um dos maiores impérios industriais do Brasil
Filipe Borin
GUILHERME PAULUS | CVC
Fundou a agência em 1972, aos 24 anos, com investimentos do ex-deputado Carlos Vicente Cerchiari (pelo então MDB). Em 1976, recebeu a participação do sócio como "presente de casamento", e assumiu o controle da empresa
Filipe Borin
ANTONIO JACOB RENNER | RENNER
Casou-se aos 19 anos com a herdeira de um rico comerciante, que mais tarde viria a ser seu sócio na empresa têxtil que deu origem ao grupo Renner

Mito 4 >>> O SUCESSO VEM SEM A AJUDA DE NINGUÉM
Empreendeder é uma atividade social, que exige uma rede de contatos

Filipe Borin
JORGE PAULO LEMANN | AB-INBEV
Com Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, investiu em participações de mais de 30 empresas. A última foi a compra da americana Anheuser-Bush, fabricante da cerveja Budweiser

Filipe Borin
EIKE BATISTA | GRUPO EBX
Sempre atrai executivos de primeira linha, como os 90 ex-funcionários da Vale, para abrir a empresa de mineração MMX ou a contratação de Francisco Gros, ex-presidente da Petrobras, do BNDES e do Banco Central, para a OGX
Filipe Borin
JOÃO ALVES DE QUEIROZ F. | HYPERMARCAS
Com dois ex-funcionários do primeiro negócio que herdou da família (Arisco), Cláudio Bergamo e Nelson Mello, criou a gigante de produtos de consumo. Bergamo é o atual presidente da empresa


Mito 5 >>> UMA IDEIA GENIAL É TUDO
No início, o que realmente conta é uma boa estratégia de vendas

Filipe Borin
SAMUEL KLEIN | CASAS BAHIA
Começou como mascate, vendendo roupas de cama, mesa e banho, e sempre oferecia boas condições para quem não podia comprar. Depois, sua grande "sacada" foi ganhar com juros nas vendas a prazo
Filipe Borin
ROLIM AMARO | TAM
Fundou uma empresa aérea na região do Araguaia e foi convidado para ser sócio-minoritário da TAM, empresa comprada por ele em 1972. Além de aviões modernos, cresceu com um excelente marketing
Filipe Borin
LUIZA HELENA TRAJANO | MAGAZINE LUIZA
O negócio da família ganhou força quando ela investiu em estratégias de marketing. Seus vendedores não ganham só pelas vendas, mas também por lucro do produto e volume das vendas à vista e a prazo. Só depois de a empresa estar consolidada inovou, com lojas virtuais em cidades pequenas

Mito 6 >>> EMPREENDEDORES CORREM MUITOS RISCOS
Na realidade, eles sabem é reduzir as chances de fracasso

Filipe Borin
MIGUEL KRIGSNER | O BOTICÁRIO
Ao perceber a oportunidade de fabricar medicamentos naturais, aliou-se a um farmacêutico e dois dermatologistas. Para expandir com segurança, adotou o sistema de franquias em 1979

Filipe Borin
JOSEPH SAFRA | BANCO SAFRA
Começou emprestando pouco e para poucos, nunca a longo prazo. Em maio de 1988, teve um ganho espetacular ao perceber que a poupança renderia mais que qualquer outra aplicação no mês por causa de dois feriados e cinco fins de semana

Filipe Borin
JOHANNES (JOÃO) GERDAU | GERDAU
Imigrante alemão, investiu em comércio, transporte e negociação de terras, para então iniciar a empresa, a Fábrica de Pregos Pontas de Paris, que foi aberta com capital de 95 acionistas


Mito 7 >>> A VIDA FICA MAIS FÁCIL
Trabalhar muito faz parte da rotina da maioria dos donos de empresas

Filipe Borin
ALAIR MARTINS | ARMAZÉNS MARTINS
Convenceu o pai a abrir um pequeno comércio, em 1953, e dos 19 aos 29 anos trabalhou 16 horas por dia, sem tirar férias

Filipe Borin
ALBERTO SARAIVA | HABIB'S
Herdeiro de uma padaria de bairro, percebeu a importância de vender barato para atrair clientes, o que exigia maior dedicação. Na primeira loja da empresa, acordava às 3 da manhã e trabalhava até 16 horas por dia

Filipe Borin
JOSÉ AURIEMO NETO | INCORPORADORA JHSF
Há mais de cinco anos não tira férias. Chega ao escritório às 8 da manhã e só vai embora às 22 horas. Define o negócio como "10% de inspiração e 90% de transpiração"


Mito 8 >>> A FORTUNA VEM DA NOITE PARA O DIA
O investimento costuma demorar a dar bons resultados

Filipe Borin
LUIZ SEABRA | NATURA
Em 1969, abriu uma pequena loja, prestando consultoria de beleza aos clientes. O capital investido equivalia a um carro popular e os primeiros resultados positivos só apareceram seis anos depois

Filipe Borin
VALENTIM DINIZ | PÃO DE AÇÚCAR
Em 1948, abriu uma doceira na Avenida Brigadeiro Luís Antonio e alguns anos depois mais duas lojas. Mas a virada do negócio só ocorreu em 1959, quando inaugurou o primeiro supermercado, um negócio diferente na época

Filipe Borin
HERCÍLIO RANDON | EMPRESAS RANDON
Com o irmão mais novo, abriu em 1949 uma oficina mecânica para motores industriais. A empresa só foi formalizada em 1953, quando começou a fabricação de peças para caminhões